Além do Trivial
  

Sobre a Justiça

 

Há tempos tenho observado cada singular evento de minha vida. Desde criança acreditava que seguindo por determinados caminhos alcançaria todos os meus objetivos. Entretanto a vida se mostrou diferente. Muitos destes objetivos não se concretizaram como almejado e isto me trouxe frustração, oportunidade então para este momento de reflexão.

 

Sou absolutamente grato por todas as portas que se fecharam, por todos os momentos de dificuldade, humilhação, constrangimento e aparente injustiça pela qual tenho sido submetido.

 

A atual pedra lascada de minha alma anseia instintivamente pela inércia, pelo não esforço, pela auto-suficiência, pelo isolamento, silêncio e tranqüilidade.

 

Sob a ótica ocidental, aquele que tem possibilidades de viver no ócio, fazendo algo somente e quando quiser é considerado um privilegiado.

 

Sob a ótica espiritual, evolucionista, da qual acredito, esta suposta vida seria absoluta perda de oportunidades de crescimento como ser inteligente.

 

A Lei pela qual este Universo é regido é perfeita. Age levando em conta questões como causa e efeito, trabalho e merecimento, livre arbítrio e conseqüências, verdade e justiça, amor e eternidade.

 

É exatamente por esta razão que meus planos “ocidentalizados” não vingaram como minha lógica “lascada” esperava.

 

Por isso, estou me esforçando para mudar de rota. Não algo brusco baseado na hipocrisia e puritanismo, mas sim algo progressivo, natural e de boa vontade. Trabalhando a favor da Lei e não mais contra. Trabalhando a favor do Todo e não de meus caprichos egoístas, egos-centristas.  

 

Este processo de lapidação da alma requer muita paciência. A cada impacto uma nova forma. Uma nova perspectiva. Um homem novo, mais forte, mesmo que aparentemente derrotado sob os véus destes olhos de barro.

 

Eu acredito na Justiça. E sem esta crença não me seria possível continuar. Continuar a percorrer as mais sensíveis e ainda inexploradas regiões de meu ser. Para então um dia compreender o único Ser, do qual faço parte.

 

Ricardo Tchobnian



Escrito por Tchobi às 23h08
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O lobo perdido

 

            Era inverno. Certa vez um filhote de lobo se perdera de sua matilha. Vagava solitário pela floresta em busca de alimento. Ao cair da noite procurava por abrigo. O frio era intenso naquela região montanhosa.

            No interior de uma caverna, pensativo, esticava o seu corpo sobre o chão de terra. Na escuridão e silêncio inerentes àquele local se lembrava dos bons momentos que passara junto à matilha. Sentia saudades do carinho de seus amigos, parentes, irmãos e principalmente de sua mãe.

            Desde os primeiros momentos em que uivou neste mundo, sua mãe jamais deixou faltar alimento ou qualquer coisa de que necessitasse. Era feliz e não sabia – pensava o canídeo.

            Tão logo amanhecia farejava no ar o aroma de carne fresca. Faminto que estava partiu ansioso até o local, onde então encontrou um grupo de ursos que devoravam um alce. Inocente, tentou abocanhar um pouco daquele alimento, mas foi impedido pelos mesmos que o espantaram com toda violência. Aflito, fugiu e se escondeu atrás de uma das inúmeras coníferas do local. Aguardava que fossem embora para se alimentar. No momento oportuno pode saciar sua fome com os restos que deixaram por lá.

            Era primavera. Fazia dois anos que estava perdido. O lobo deixara de ser um filhote indefeso. Aprendera a caçar e a marcar território naquela região. Certa vez, durante perseguição de um alce, por distração, caiu de um penhasco de cinqüenta metros onde foi salvo pelas águas de um rio que descongelara semanas atrás. O impacto com as águas chamou atenção de uma matilha que bebia nas margens daquele rio. Tão logo recobrou a consciência, pode reconhecer todos aqueles de que tanto sentira falta. Sua mãe o reconheceu imediatamente pelo inconfundível olfato. O lobo uivava de alegria. Era um dia especial. Ele voltava para suas origens.

            Um fato curioso o chamou atenção. Sua mãe ainda trazia alimentos para seus irmãos de mesma idade. Percebeu o quanto ficaram acomodados com aquela situação.

            Naquela noite, um grupo de pelo menos vinte ursos se aproximou para encurralar aquela matilha. Desesperados e adaptados somente aos fatos cotidianos da vida canina, os lobos se entregaram à própria sorte. Choravam, ou melhor, uivavam em coro, de olhos fechados esperando pelo inevitável.

            Assim que abriram os olhos viram os ursos fugindo rapidamente. O lobo recém chegado avançara sobre um deles e com a força de sua mordida fez com que todos desistissem daquele ataque, mediante ao desespero que causara naquele animal.

            O lobo perdido fora eleito lobo alfa da matilha. Seus irmãos lhe perguntaram da razão de tamanha força e coragem. Ele respondeu:

            - Vocês não poderiam compreender. Somente aquele que passou fome, frio, desespero, incerteza e solidão compreenderia a origem do que sou hoje. Eu estava perdido e pude me encontrar.

 

Tchobi



Escrito por Tchobi às 00h26
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Depoimentos de dois adolescentes de 16 e 17 anos e de um adulto de 25 anos

Marcela – 16 anos

Eu acho este mundo injusto. Sou uma das melhores alunas da minha classe, atualmente faço estágio numa empresa de arquitetura e percebo que tanto em casa quanto no trabalho não sou devidamente valorizada. Meus pais me tratam como criança. Queria ter liberdade de sair e voltar a hora que quiser, de modo a me divertir suficientemente com minhas amigas, mas meus pais insistem em me levar e buscar em horários pré-determinados, como se eu não soubesse cuidar de mim mesma. No estágio, tenho vontade de expressar minhas opiniões,  mas percebo certa indiferença dos colegas efetivados de lá. Muitas vezes me solicitam a fazer trabalhos banais como organizar documentos, fichas de clientes, tirar fotocópias, dentre outros. Coisas que não me acrescentam em nada. Estou lá, mais pelo dinheiro. Com o salário que recebo, compro algumas coisas que trazem um pouco de alegria para minha vida. Na grande maioria delas: roupas, e objetos de vestuário em geral. A sensação de independência, destes momentos, é indescritível. Queria muito ser tratada como adulta, com o respeito que mereço e  sem tantas cobranças que me cansam e muitas vezes me frustram por não poder me expressar como gostaria. Quando for mais velha, e passar a depender menos de meus pais, finalmente serei feliz a ponto de cuidar de mim mesma e fazer tudo que hoje não posso.

João – 17 anos

Eu acho este mundo uma grande ironia.  Sou proibido de fazer tudo que gostaria, ao passo que lá fora fazem tudo o que querem.  No colégio até que não tenho me saído tão mal. A média é 5,0 e quase sempre tiro notas acima. Estudo para passar. Sei que estes conhecimentos são inúteis, mas compreendo que preciso de diploma para entrar na faculdade. Pretendo fazer Administração de Empresas. Quero ser gerente e ganhar bem para realizar todos os meus sonhos. Por isso que não me interessa muito matérias como química, educação artística, literatura. Atualmente, meu objetivo principal tem sido conseguir uma namorada. Poxa, isto seria muito bacana. Teria alguém para compartilhar comigo de vários momentos agradáveis. Para isso, desde o começo do ano, me matriculei na academia da esquina  para ganhar um pouco de massa e modelar o meu corpo. Procuro alguém inteligente, mas também de boa aparência. Então acredito que até o final do ano, quando finalmente atingir minha meta física, terei mais chances de conquistar alguém. Vejo como os instrutores conseguem as mais belas garotas e no fundo sinto até inveja deles. Não vejo a hora de fazer 18 anos. Meu pai vai me dar um carro quando entrar na faculdade e isto vai me facilitar as coisas. Mas eu sei que vou ter que procurar algum tipo de trabalho, porque possivelmente será um carro básico e precisarei de dinheiro para equipá-lo. É uma grande agonia querer as coisas e não tê-las de imediato. Acredito que estes executivos que tem poder são as pessoas mais felizes do mundo, pois podem ter tudo que quiserem. Acho que tem uma garota que gosta de mim. Ela tem 16 anos e mora aqui perto de casa. Ela se chama Marcela e faz estágio numa empresa de arquitetura. Nossos pais se conhecem há muito tempo. Acho-a muito bacana, esforçada, mas fisicamente não me atrai. Ela nem freqüenta academia. Converso com ela todos os dias no MSN. Ela reclama dos pais e do trabalho. Queria ser mais valorizada. Acho que fica se fazendo de vítima para me comover para que me aproxime dela. Eu mais a escuto, em consideração a amizade de nossos pais. De vez em quando pergunto da prima dela que está no Orkut, mas ela sempre desconversa. Qualquer hora ela encontra alguém com o perfil dela. Bem, só sei , que não vejo a hora de crescer, ter um bom emprego para finalmente ser feliz!

Felipe – 25 anos

A vida me trouxe muitos desafios, que eu nem imaginava encontrar pela frente. Trabalho e estudo desde os 17. Estagiei numa empresa de grande porte, onde aos 22 fui contratado logo ao me graduar em “Ciências da computação”. Trabalhando de dia e estudando pela noite pude adquirir recursos para me manter e de vez em quando me divertir com a galera. Namoro desde os 18 e digo que após algumas discussões necessárias, finalmente nos ajustamos. Minha vida mudou completamente aos 17. Estava insatisfeito por não possuir liberdade para fazer tudo o que queria, visto que já me considerava uma pessoa madura. Meus pais me podavam de muitas coisas e me sentia revoltado com estas supostas injustiças. Foi então que em certa tarde de Domingo me telefonaram dizendo do acidente. Acidente este, fatal que ocorrera durante retorno deles da casa de meus avós, no interior paulista. Foi muito difícil esta perda. Julgava-me preparado para a vida, mas tão logo percebi que ainda havia tanto a aprender, tantas situações a vivenciar. Apesar de amparado materialmente com o que herdei, tive que me reorganizar de modo a começar a trabalhar para ao menos manter o que me fora deixado. A primeira frustração foi a de ter de começar por baixo, como estagiário. O dinheiro não dava para quase nada. Economizei o que podia para conseguir conciliar a faculdade e o trabalho. Segui as últimas orientações de meus pais. Fiz questão de concluir os estudos. Somente agora vejo a importância de cada etapa da vida. Percebo que mesmo aqueles conhecimentos que nunca pensaria em utilizar, mais cedo ou mais tarde me deparava utilizando-os em algum tipo de projeto. Como sinto falta de meus pais! Tive que cuidar de mim mesmo às pressas. Não havia quem o fizesse. De vez em quando viajava para o interior para rever meus tios e avós, mas não era a mesma coisa. A experiência me ensinou que devemos valorizar tudo aquilo que temos, todas as pessoas que nos cercam, pois mais cedo ou mais tarde, não mais as teremos ao nosso lado. Agradeço a Deus por ter tido pais que me passaram valores tais como honestidade e perseverança. Isto fez toda a diferença para minha vida. A liberdade que sempre almejei quando mais novo, de nada me serviu. Muito pelo contrário. Quando livre para ir e vir, sem as cobranças dos pais, me senti por muitas vezes solitário. Muitas vezes, a maneira pela qual nossos pais expressam o amor que sentem por nós se mostra através da imposição de certas regras. Afinal eles já foram adolescentes, e por mais que não sejam perfeitos, sabem de algumas das dificuldades e conflitos desta fase tão importante de transição em nossas vidas. Invejo meus amigos que tem pais, mas percebo que na grande maioria, não dão o devido valor que eles merecem. Nenhum deles é perfeito, são humanos como nós, mas dentro de suas imperfeições, tenho certeza que em grande maioria fazem tudo o que podem para expressar o carinho que tem por nós filhos. Se eu pudesse voltar no tempo, teria abraçado, acompanhado, ouvido mais a meus pais. Hoje o que me resta é fazê-lo em pensamento e me consolar que nesta vida tudo tem um começo e tudo tem um final.    

 

Obs: Estes depoimentos são fictícios, mas qualquer semelhança com a vida real não é fruto do acaso. Pode acreditar!

 

(Tchobi)

 



Escrito por Tchobi às 12h46
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Sobre a grandeza

 

Desde sempre o homem buscou posições de destaque em seu meio. Utilizando de inúmeros artifícios: astúcia, inteligência, instrução, beleza, sedução, dentre outros. Tudo para garantir conforto e tranqüilidade em sua vida material, bem como satisfazer aos seus caprichos egoístas. Muitos dos que insistiram em ir contra esta tendência foram condenados ao insucesso no simulacro deste mundo.

Igualmente a busca pela verdade, beleza e justiça, o ser humano aspira à grandeza, à abundância; a semelhança de seu Criador, perfeito e incomensurável.

Reis, rainhas e líderes provisoriamente tiveram poder sobre seus povos, mas em raras exceções demonstraram grandeza. Súditos, subversivos e pessoas comuns não tiveram qualquer poder oficial, mas muitos foram os que alcançaram o estado de verdadeira grandeza: o da humildade e o do privilégio de servir.

A grandeza independe de sua condição social, instrução, ou qualquer outra posição deste mundo. Ela depende de sua elevação moral. Mais elevado é aquele que oferece ao mundo em forma de trabalho tudo aquilo que de graça recebeu: mais precisamente ligado aos talentos naturais. Os considerados “pobres” necessitam de dinheiro, mas não o necessitariam se recebessem suficiente atenção a ponto de lhes motivar a lutar por condições melhores. Partindo deste exemplo, se cada um de nós oferecesse ao mundo o melhor de si mesmo, alcançaríamos um mundo mais elevado. Sem diferenças e preconceitos.

Imaginemos um mundo sem cercas, trancas, sem competição, onde cada um contribuísse com seu talento natural pelo bem comum. Este mundo já nos habita, porém aguarda a nossa decisão para colocá-lo em prática com as atitudes que tomamos em nossas vidas.

Até quando escolheremos a grandeza ilusória em vez da verdadeira? Isto não tardará a acontecer, mas o joio deverá ser separado do trigo.

 

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 01h39
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Notícias da Terra

Ficção

Queridos amigos do céu,

 

            Aqui na Terra mesmo após vários exemplos de seres que se abnegaram e muito amaram seus semelhantes, nós humanos temos optado por atender aos nossos interesses particulares. Isto se dá pela incapacidade que ainda temos em nos desprender por completo de nossos apegos e caprichos mundanos.

            Qualquer um que procura viver o amor em plenitude é uma exceção, encontra inúmeros desafios e perseguições. De fato a humanidade de tempos em tempos presencia seres iluminados que desafiam tudo e todos, colocando em jogo suas posses, posições, harmonia com os amigos e familiares, e muitas vezes se esquecendo de suas próprias integridades físicas. Estes são nossas grandes inspirações.

             A grande maioria de fato se preocupa exclusivamente com seu próprio bem estar, mesmo que isto cause dificuldades para outras pessoas. Por outro lado há uma parcela que está cansada de tanta injustiça e desigualdade. Não são pessoas prontas, mas com inclinação para o bem. Começam com algo pequeno como qualquer esmola, dedicam-se a alguma tarefa voluntária. Às vezes até se sentem como seres iluminados, mas é compreensível dada à tamanha maldade ainda praticada mundo afora. Com o tempo acabam percebendo que quem ajuda é quem mais recebe e isto passa a fazer parte de suas vidas.

            Assim aos poucos a humanidade tem evoluído. Muita é ainda a hipocrisia, mas muitos são os movimentos para que naquilo em que se é falado passe a ser praticado.

            Sinceramente, não acho um bom momento para nascerem por aqui. Caso seja algo que muito aspirem então que o façam com o intuito de ajudar e cientes de que serão perseguidos pelos atuais valores egoístas da Terra.

            Por outro lado se milhões de vocês vierem simultaneamente, sem dúvida teremos uma revolução. Uma revolução interior, de revalidação de valores. Se hoje há grande procura pelo poder, posses, status e mais outros castelos de areias, amanhã a procura passará a ser por ajudar os necessitados. Muitos necessitam de melhores condições materiais. Incontáveis são os que necessitam de melhores condições para amar ao seu semelhante. São mendigos de amor. Os mendigos de rua, mesmo hoje, ainda recebem alimentos por parte de certas instituições. Os mendigos de amor ainda não o recebem. Primeiro porque poucos são os que têm a oferecer. Segundo porque não compreendem que são carentes deste incomensurável atributo ou sentimento que rege todo o nosso Universo.

            Nos meios de comunicação há grande destaque às injustiças e crimes. Raros são os destaques à caridade ou qualquer manifestação de amor ao próximo. Nossas atuais escolas alfabetizam e ensinam os alunos a fazer contas. Não os ensinam a amar seus familiares sendo cada um deles como é. Não ensinam a transpassar os valores morais aos temporários mundanos. E com isso nossas crianças se apegam à quantidade, ao ter em detrimento do ser.

            Isto é preocupante. Este egoísmo gera escassez em nosso planeta e por isto nos encontramos em tempos de crise. Tanto aquelas causadas pela economia, quanto aquelas causadas pela própria natureza.

            Poderia ser diferente, mas sabemos que a lei de ação e reação é implacável. Difícil é conviver com qualquer irmão que hoje sofre por conseqüência de uma escolha infeliz. Mais difícil ainda é conviver com o sofrimento causado por escolhas que não foram dele. Estas aparentes injustiças são de certa forma consoladas pela fé num mundo melhor e na infalível justiça do Alto. É que para nós, décadas, séculos são considerados como longo prazo dado ao imediatismo com o qual convivemos nestes tempos de rápidas mudanças sociais.

            Se Gandhi influenciou a mente de milhões no século passado com a não violência e conseqüente libertação da Índia, quem sabe não nos seja dada a chance de continuarmos ainda neste século sem que frações de nossa raça tenham que ser aniquiladas até que aprendamos o caminho do amor? Desconheço o planejamento do Alto, mas por conhecerem a natureza humana possivelmente compreendem e até considerem normal nossas atuais atitudes egoístas e escolhas infelizes. Felizmente temos a eternidade para crescer.

            Portanto, meus amigos, estas são as notícias da Terra. Sinto muito por não serem compatíveis com a morada em que hoje habitam. Obrigado pela paciência. Em poucos séculos o quadro será outro muito melhor do que este. Não desistam de nós. Precisamos de vocês!

 

Saudações,

Tchobi



Escrito por Tchobi às 17h28
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Bonzinhos e abnegados

 

            A virtude da abnegação representa a prioridade do interesse alheio ou coletivo ao de si próprio. Ao contrário do que parece, raros são aqueles que praticam em plenitude esta virtude. Dentro do universo daqueles que cooperam, existem os bonzinhos e existem os abnegados.

            Os bonzinhos são aqueles que têm dificuldade em falar “não”. São vistos como pessoas amigas, participativas e prontas para qualquer atividade social. Em geral são pessoas de baixa-estima que se anulam com a falsa esperança de buscar reconhecimento nos outros. Preenchem desta forma o vazio interior que possuem com um suposto contentamento alheio. Vivem períodos de depressão e até de revolta quando não reconhecidos. Em alguns casos mais expressivos, falam em voz baixa, olham para o chão, não se sentem capazes e supervalorizam coisas ou pessoas com fanatismos e extremismos.

            Os abnegados são aqueles que agem de acordo com a justiça. Falam “sim” ou “não” sem qualquer receio de magoar alguém. Nem sempre são vistos como amigos. Muitas vezes são rotulados como indiferentes, geralmente por bonzinhos, sem se deixar abater por isso. São pessoas de alta estima que encontraram ou se encontram no caminho da auto realização. Ajudam o próximo, a coletividade sem qualquer necessidade de reconhecimento. Possuem alegria dentro de si, aconteça o que acontecer. Falam com calma, de maneira clara e objetiva. Olham nos olhos, pois suas palavras condizem com a verdade em que acreditam. Procuram não fazer julgamentos precipitados. Compreendem que cada um vive seu singular e necessário momento de alegria ou de tristeza. O ato de ajudar, seja ele ligado a doações monetárias, doações de si mesmo, de seu tempo, todos estes são naturais para o abnegado. Ao passo em que o bonzinho reclama, o abnegado pensa em que de útil pode fazer, pois nisto está o seu propósito de vida: o de servir.

            Seja um abnegado: ame a si mesmo. Ame-se muito! Olhe-se no espelho com muita alegria no coração. A verdadeira beleza está em nossas intenções e atitudes. Ela não requer plástica, nem exercícios físicos; isto seria muito fácil. Ela requer a coragem da auto aceitação, com todos os defeitos e virtudes, com toda saúde ou doença, conhecimento e ignorância, orgulho e humildade, riqueza ou pobreza. Afinal os opostos se complementam e se harmonizam. Seja um abnegado hoje mesmo. Contribua com a sua parcela para este mundo ainda repleto de bonzinhos em depressão e revolta. Seus descendentes, nascidos ou não, agradecem!

 

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 00h48
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Para você

 

            Por que tem se comportado desta maneira? E todo aquele brilho existente no passado onde seus sonhos possuíam vida própria? Parece até que se esqueceu de onde veio e para onde vai. Parece também que se esqueceu de quem realmente é e de todo o seu poder. Eu não quero lhe ver assim. Ninguém quer. As portas que se fecharam lhe conduziram para onde está. As portas que deixaram de se abrir lhe pouparam de coisas que nem poderia imaginar. E por isso não percebe o quão valiosa é a vida, deixando-se levar por fracos ventos opostos que em verdade lhe refrescam e lhe permitem continuar.

            Por isso agradeça a cada não que receber. A cada sonho que não se concretizar. A cada espinho que lhe ferir. Porque se assim o fizer, chegará mais perto de enxergar. Não aquilo que seus olhos de barro lhe mostram em ilusão, mas sim aquilo que se enxerga somente com os olhos do seu coração.

            Como pode perceber, a partir do momento em que nasceu, o seu corpo começou a envelhecer. Neste estado inventaram algo chamado tempo que lhe faz perecível. Então assim como as ondas do mar vêm e vão, o seu corpo veio e vai. E não há nada que poderá fazer para impedi-lo. O que seria de uma música com apenas uma nota? O que seria da natureza somente com um tipo de ser? O que seria da vida se somente vivida em determinada idade? Que grande monotonia e previsibilidade seria deste Universo diverso e misterioso.

             Os minerais se transformam. Os vegetais se renovam. Os animais comem e se reproduzem. Os seres humanos se criam a cada dia. Por isso você é aquilo que pensa ser. Aproveite este privilégio de poder escolher em que estado de espírito ficará no dia de hoje, afinal, em verdade, ele independe de qualquer fato que rotule como bom ou ruim. Você pode tudo. Você é muito mais do que simples aglomerações de carbono em constante mutação. Você é um ser com capacidades ilimitadas, apesar de ainda não ter se dado conta disso. Sua mente ainda está presa ao que seus pais lhe diziam baseados naquilo em que seus avós lhes disseram. Tornando-se livre, contribuirá muito para que seus filhos também assim o sejam.

            Você tem tudo para ser feliz. Muito mais do que pensa ser necessário para tal. Pode viver de aluguel, possuir poucas roupas e nem sempre comer de tudo que gostaria. O espelho e a balança podem não ser tão agradáveis. Mas possui a si mesmo com infinitas possibilidades de errar e tentar novamente. Se hoje uns estão a sua frente, não se preocupe com isso. Talvez não tenham tido a mesma oportunidade que hoje está tendo de apreciar cada detalhe da paisagem. Vá com calma. Eles lhe esperarão para a grande festa da chegada.

            De agora em diante faça com que cada lágrima derramada seja tão somente pelo êxtase do viver. Por ser um indivíduo singular e insubstituível, parte indispensável do todo. O que seria do Universo se você não existisse? Com certeza menos pessoas hoje poderiam estar sorrindo tão somente por saber que hoje está aqui vivendo ao lado delas.

            Muito obrigado por existir. Seja feliz, se esta for a sua vontade!

 

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 00h41
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Diálogo entre dois mundos (Ficção)

 

- Ola terráqueo, que bom que está aqui. É sempre interessante conversar com pessoas do seu planeta, pois me faz lembrar do passado – tempos em que a vida era superficial.

- Olá meu caro extraterrestre! Fico contente por aprender com seres mais experientes.

- Em que posso lhe servir. Sei que tem muitas perguntas, algo normal no seu atual estado evolutivo.

- Sim, tenho muitas dúvidas. Reconheço que sou cego e gostaria de poder enxergar. O que devo fazer para me tornar livre de mim mesmo, de meu ego que tanto me sufoca e traz sofrimento desnecessário?

- O mundo material lhe faz acreditar que a felicidade está em coisas, na satisfação dos sentidos, na autonomia financeira, no reconhecimento e no poder. Desde pequenos são educados para um mundo competitivo. Vivem em função de um mundo ilusório. Frustram-se por não ter. Comemoram quando conquistam.  Não se satisfazem por muito tempo e logo voltam à frustração inicial julgando não possuírem o suficiente. Vivem em ciclos viciosos que deturpam a realidade de quem são.

 - Quem realmente somos?

- Vocês são a combinação de espírito, mente e corpo. Mas em grande maioria vivem em função dos dois últimos - daquilo que chamou de ego.

- E qual o problema disso? Só percebo com a mente e com o corpo. Por que deveria viver em função de algo que é abstrato?

- Porque representa a única coisa que permanecerá.

- E como faço para atender não somente ao meu ego?

- Reflita sobre suas atitudes. Será que não tem agido se importando em demasia com a opinião alheia e com os benefícios que obtém com isso?

- Claro que sim. Afinal vivo em função de uma sociedade. Tenho uma reputação a manter.

- Esta reputação é da imagem que criou e não de quem realmente é.

- E por que isto acontece?

- Porque assim o escolheu. Consciente ou inconscientemente.

- Como faço para não mais me importar com esta imagem, mas sim com quem realmente sou?

- Siga sua consciência. O que pode parecer certo para você não necessariamente o parecerá para os outros. Não tenha medo de não se enquadrar nos padrões da sociedade. Não é porque a sociedade valoriza somente a imagem e não a pessoa em si é que você também tenha que cair nesta armadilha ilusória.

- Mas eu tenho medo do que os outros poderiam pensar.

- Para não mais sofrer é necessária coragem e determinação. Paciência, humildade, compaixão e tudo aquilo que seus grandes mestres já lhe disseram.

- Existe alguma religião correta?

- Sim, todas. Umas mais convenientes outras menos, porém todas as levam ao autoconhecimento.

- Preciso estar ligado a alguma delas para tal?

- Não necessariamente. Mas pode conferir as informações da sua consciência com elas. Não há nada em nenhuma delas que não saiba. Acontece é que se esqueceu disso. Quando lê qualquer manuscrito tido como sagrado não tem a impressão de que já o conhece?

- Sim.

- Este é então o caminho para se libertar de si mesmo. Viva de acordo com sua consciência e não com a verdade dos outros. Se encontrar alguém que pense como você tudo bem, mas não tente impor a sua verdade àqueles que pensam de outra maneira. Nem todos caminham pelas mesmas trilhas, mas o destino final é igual para todos.

- E o que posso fazer para ajudar aqueles que sofrem como eu?

- Cada um segue pela trilha que escolheu. Uns por trilhas calmas, com belas paisagens. Outros por trilhas íngremes e tempestuosas. Todos chegarão, mais cedo ou mais tarde ao mesmo destino. Respeite a decisão de cada um, mas não deixe de expor seu ponto de vista quando sua consciência o quiser.

- Isto significa que não existe nada de errado com o mundo?

- Sim. Não há nada de errado com a Terra. O que existe é a diversidade de caminhos para o mesmo destino, provinda de diferentes escolhas.

- Compreendo. Muito bom saber disso.

- Muito bom poder lhe falar sobre isso.

- Muito obrigado!

- É sempre um prazer!

- Até mais!

- Fique em paz, até mais!

 

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 19h54
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Imunidade

 

Por toda história da humanidade vivemos tempos difíceis onde a luta pela sobrevivência e felicidade se fez intensa. Esta luta passou do plano físico para o intelectual. É chegado o momento em que é possível nos tornarmos imunes perante o turbilhão de situações que nos forçam a cair. Esta imunidade é semelhante a uma pessoa de um só olho que enxerga em terra de cegos, e que desta maneira se torna um rei.

Somos derrubados por nossos desejos provindos da parcela animal que reside em nós. Dela surgem o egoísmo e o orgulho que quando exacerbados nos levam a cegueira e a queda. Os instintos de auto-preservação e de perpetuação da espécie são inerentes a todos. Contudo se sobressaem aqueles que os usam em favor da razão, evitando-se assim sofrimentos desnecessários provindos de paixões.

Aquele que cuidar de seu desenvolvimento moral será como um rei nesta terra de cegos. A moralidade, o caráter, a integridade são virtudes que nos mantém imunes a quaisquer tipos de ataques. A religiosidade nos desenvolve estas virtudes, mas muitos se perdem no equívoco de considerarem conceitos estudados com verdadeiramente interiorizados, gerando assim hipocrisia, auto-engano, sofrimento e insatisfação.

Há os que acreditam em conquistas sem trabalho, estagnando suas vidas por ilusões criadas como fuga da realidade. Há aqueles que acreditam que tudo seja possível desde que haja merecimento provindo de trabalho. Seja ele através do esforço físico, seja ele através do esforço empreendido em se desenvolver intimamente.

Felizes daqueles que choram por não ter suas paixões correspondidas. Estes são fortes candidatos ao reinado da imunidade. Com o pão o homem existe. Mas sem sua essência de amor ele não vive.

Vive aquele que ama incondicionalmente. Este amor hoje não nos habita. Amanhã habitará. Permitindo que vivamos em nosso estado natural, num reino pouco falado, muito esperado e que nos faz chorar por lá não estar.

Sonhando-se, acorda-se. Acordando-se, abrem-se os olhos. Abrindo-se os olhos, enxerga-se. Enxergando-se, ama-se. Amando-se, imuniza-se.

 

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 04h43
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Sobre pessoas difíceis

 

            Seja em casa, no trabalho ou com amigos nos deparamos com pessoas difíceis. Difíceis de conviver, pois pensam e agem diferentemente de nós. Muitas vezes, por nos considerarmos portadores da verdade, julgamos nosso próximo. Com o veredicto, tomamos diversas posições: afastamento, aproximação com restrições, criação de máscaras e até tentativa de mudança do outro.

            Dalai Lama disse certa vez que quando não mais se possui paciência para conviver com alguém é melhor se afastar do que criar mais conflitos e dívidas para com o Universo.

            Aquilo que mais nos incomoda no outro, em verdade, é algo que possuímos dentro de nós, mas não admitimos ou nem sequer percebemos sua existência. Isto implica que aquilo que nos incomoda no outro é algo que temos que melhorar em nós mesmos. Estes indivíduos surgem em nossas vidas como grandes mestres para que desenvolvamos virtudes como a humildade e paciência, por exemplo.

            Não existe indivíduo igual ao outro. Ninguém possui poder para modificar quem quer que seja a não ser a si mesmo. Então quando percebemos que nosso próximo está agindo incoerentemente, dentro de nosso ponto de vista ou do ponto de vista da sociedade, resistindo em se modificar, então não há nada a fazer senão servir de exemplo. Através de nossas atitudes influenciamos pessoas.

            O mundo possui muitas pessoas boas, pois se espelham em outras semelhantes. Da mesma forma possui muitas corruptas, estas em maioria, pois os valores atuais estão invertidos e é mais fácil, socialmente, ser corrupto do que íntegro. Ser íntegro exige demasiado esforço e coragem, pois é agir fora dos padrões, apesar de corretamente.

            As pessoas estão evoluindo. Cada dia que passa a proporção das pessoas adeptas ao bem aumenta. Aumenta, pois em grande parte se transformam por estarem cansadas de sofrer com os ensinamentos da vida. Quando escolhemos viver em desacordo com as leis morais do Universo o mesmo reage até que aprendamos a seguir por caminhos mais condizentes. Não seria por acaso que tantas pessoas sofrem neste mundo. O Criador, infinitamente justo e amoroso, não deixaria suas criações sofrerem em vão.

            Portanto, resta-nos compreender este processo amando cada indivíduo como é sabendo que por mais difícil que seja, oferece o melhor de si. O fato de tratarmos todos igualmente, chamarmos pelo nome, faz muito mais diferença do que poderíamos imaginar. Esforçando-nos em nos transformar acabamos por ajudar ao próximo que por influência também progride.

            Quando estivermos prontos, perceberemos que não existem pessoas difíceis, mas sim oportunidades de exercitarmos nossa compaixão por um indivíduo que ainda sofre com suas próprias limitações físicas, mentais ou emocionais. Ou o contrário, que nos aceitam com todas nossas limitações e por serem mais esclarecidas nos parecem incompreensíveis. Não foi a toa que nos foi dito para não julgar.

 

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 14h35
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O renascimento de Francisco de Assis

 

Francisco nasceu em 1182 na cidade de Assis. Filho de Monna Pica e Dom Bernardone, família rica, cresceu em volta de todas as regalias que o mundo lhe poderia oferecer. Viveu sua adolescência ao lado de seu pai, comerciante de tecidos. Onde foi influenciado a multiplicar fortunas. Sempre caridoso desde cedo ajudava aos pobres. Vaidoso, com nobres vestes sempre foi protagonista de festas e momentos de diversão na cidade. Era o centro das atenções. Zelava por ser o melhor em tudo. Certa vez foi a guerra. Nela foi aprisionado por um ano onde nunca desanimou e sempre serviu de incentivo aos seus colegas de cela. Voltou a Assis muito doente. Durante este momento percebeu a beleza da vida, das coisas da natureza, dos animais.

 

Abdicou-se de tudo, renascendo então para a vida. Queria ser livre. Desapontou seu pai. Devolveu-lhe em praça pública até suas vestes. Recebeu um saco de hortaliças e com ele se vestiu. Mais tarde adotou uma túnica padronizando então as vestes franciscanas.

 

Desde então procurou viver o evangelho de Jesus literalmente. Precisou de autorização do Papa para fundar nova ordem. Os cardeais acharam impossível viver literalmente como Cristo, mas permitiram, pois como poderiam pregar sobre algo inalcançável.

 

Francisco junto aos seus irmãos que se tornaram inúmeros ao longo do tempo espalhou sobre a Terra o evangelho de Jesus dentro de sua originalidade. A Igreja o deturpara durante o tempo.

 

Apesar dos enormes desafios de trazer novos ânimos aos cristãos da época, o maior pelo qual Francisco passou foi o de vencer a si mesmo. Ele era o exemplo de todos. Cobrava-se em demasia. Primeiro cuidava de seu espírito, somente depois do corpo. Por isso que pouco comia, distanciava-se de qualquer coisa que lhe pudesse trazer prazer físico. Sabia que isto o distanciaria de Deus e do prazer que sentia neste estado de comunhão.

 

Certa vez Irmão Leão perguntou-lhe: “Francisco, o mundo material possui coisas que nos trazem tanto prazer. Por que devemos nos abdicar delas?” Respondeu-lhe então: “Abdicamos das coisas boas deste mundo para receber outras muito melhores de Deus”.

 

Francisco ficava em oração durante dias sem comer ou beber escondido em grutas no Monte Alverne. Sua comunhão com o Todo era tamanha que deste mundo o mínimo necessitava. O fato de viver no conforto não impede de ascender-se espiritualmente, porém as privações da matéria muito ajudam, pois quanto mais recebe mais tende a necessitar. Desta forma as coisas de Deus tendem a ficar em segundo plano.

 

Incompreendido pela sua rigidez persistiu até o fim em seus ideais. Após receber os estigmas de Cristo em seu corpo, a maior provação deste mundo, muito mais cresceu espiritualmente, pois pôde transcender a matéria resistindo e ficando acima de todas as dores que lhe acercavam o corpo.

 

Eis um exemplo de um homem que se fez comum e nos mostrou que é possível chegar ao céu. Basta querer e muito persistir.

 

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 11h05
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Um caminho a seguir

 

Procurei por um caminho a seguir. Infalível, perfeito e completo. Que me mantivesse feliz incondicionalmente. Acreditei que estivesse no dinheiro. Ansioso, ajuntei boa soma. Adquiri propriedades. Roupas de grife, perfumes caros. Continuei infeliz, preocupado em manter tudo o que tinha. Acreditei então que estivesse no conhecimento. Ansioso, estudei bastante. Adquiri belo diploma. Enquadrei e mostrei ao mundo meu novo rótulo. Continuei infeliz, preocupado em ser aceito. Acreditei desta vez que estivesse no poder. Ansioso, muito me dediquei e me tornei superior. Responsável por inúmeras pessoas que como eu também ansiavam por ascensão. Continuei infeliz, preocupado em manter minha posição de destaque. Acreditei que estivesse numa ardente paixão. Consegui o que queria. Vivi momentos de prazer nos quais de tudo me esquecia. Continuei infeliz, porque a paixão não se manteve. Foi tudo ilusão. Uma fantasia de alguém frustrado que de tudo fazia para ser feliz. Muito caminhei. Muito adquiri. Muito aprendi. Muito conquistei. Muito senti. E muito cansei. Cansei por não encontrar um caminho infalível, perfeito e completo. Cansado, de tudo me afastei. Então, em pouco tempo encontrei. Um sentimento real de liberdade. Serena felicidade. Provinda de uma mistura de humildade com caridade. Desapego com aceitação. Amor ao próximo de todo coração. Voltei. Aqui nasci e aqui devo viver. Este mundo ainda me aflige. Não é mais como antes, pois aprendi que não passa de ilusão interpretada como realidade. Ainda não consigo me manter incondicionalmente feliz. Por tudo isso fiz uma escolha. Escolhi aproveitar ao máximo cada oportunidade onde encontro real felicidade. Não sei aonde vai dar. Só sei que até agora este foi o único caminho que encontrei a seguir sem por nada futuro, deste mundo, precisar esperar.

 

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 01h45
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Sobre as aparências

 

Muitos de nós costumam se preocupar com as aparências. Aparências para os outros, aparências para nós mesmos.  Curiosamente deixamos de ser nós mesmos para viver ilusoriamente sustentando uma imagem mais condizente com aquilo que esperam ou que esperamos de nós.

Com isso passamos a ser aceitos por determinados grupos sociais e supostamente nos sentimos mais felizes. Olhamos para o espelho e nos orgulhamos de quem tanto trabalhamos para ser. Pessoas de sucesso, queridas, respeitadas. Sempre convidadas para eventos sociais, reuniões de amigos. Indo de um lado para o outro atendendo aos diversos compromissos. Usando nossas casas apenas para repouso.

O tempo passa. Muitos amigos. Sempre acompanhados. Sentimento de vazio, de solidão se manifesta. Não conseguimos compreender, pois temos tudo por que trabalhamos. O que poderia estar errado?

Este tipo de sentimento denota o clamar da consciência por um novo rumo. O rumo da integridade. Do auto-amor. Podemos enganar todos, inclusive o nosso ego, porém jamais a nossa essência imaterial.

O Reino dos Céus prometido há dois mil anos não é um local, nem terreno, nem transcendental, mas sim um estado de espírito provindo da paz interior.

Está na hora de vivermos nossas vidas sendo quem somos sem nos preocupar com a opinião alheia. Verdadeiros amigos nos aceitam como somos. Ricos ou pobres, ignorantes ou intelectuais, ateus ou teístas, somos todos seres humanos com sentimentos e variados desejos. Quando nos podamos para agradar quem quer que seja então demonstramos sintoma de que estamos distantes de nossa essência e que, mesmo inconscientemente, estamos sofrendo.

O Universo ao nosso redor reflete a maneira com que nos tratamos. Se nos respeitamos, somos respeitados, se não nos amamos, não somos amados. Há aqueles que pensam que a felicidade se dará apenas quando encontrarem um parceiro conjugal. Ninguém pode fazer o outro feliz. Pode trazer momentos de alegria, mas a verdadeira felicidade é aquela plena, não condicionada, que dura faça chuva, faça sol, na pobreza ou na riqueza, na companhia ou na solidão. É a felicidade que cultivamos a cada dia os aprendizados da vida. Em contrapartida quando estamos felizes, satisfeitos com que a vida nos oferece então acabamos por atrair pessoas semelhantes que surgem para compartilhar na maioria das vezes momentos de alegria. Em sendo falsos encontraremos pessoas condizentes com a falsidade. Em sendo verdadeiros encontraremos pessoas verdadeiras.

A vida é curta. Quando tempo cada um de nós ainda precisa para se aceitar e lutar por seus sonhos mais íntimos?

 

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 19h41
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Rocky – Opinião

 

Gosto muito desta série de filmes. Não a considero violenta, mas sim repleta de grandes lições de vida. Rocky nos mostra a importância de investirmos em nossos talentos por mais que digam o contrário. Seu próprio treinador o colocou para baixo, mas nunca desistiu. É interessante notar que apesar do talento, Rocky precisou de motivação para chegar onde queria. De um simples boxeador de subúrbio elevou-se a campeão mundial. Esta elevação hierárquica se deu em paralelo com seu crescimento pessoal.  

Sempre quando provocado por seus adversários na maioria das vezes se mostrou sereno. Na derrota ou na vitória se mostrou humilde.

A maior luta travada por Rocky não foi contra o Russo ou qualquer outro oponente, mas sim contra si próprio. Foi a luta da reforma interior. Muito mais difícil do que qualquer outra deste mundo.

Rocky é um exemplo de transformação e fé. O espectador se identifica com as lutas do personagem. É um exemplo para todos e não é a toa que faz tanto sucesso.   

 

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 10h29
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Sobre o medo e o sofrimento

 

Na vida nem sempre passamos por momentos dos quais escolhemos. Muitas vezes sentimos medo de algo que não foi planejado e que sai de nossa rotina. São vários tipos de medo: do fracasso, da solidão, do desemprego, da morte, do amanhã.

Todos possuem a mesma causa: a necessidade de ter todos os desejos atendidos. Esta necessidade cria em nossas mentes a ilusão de que se algo nos faltar então haverá sofrimento. Ou seja, é um medo com base em hipóteses, fatos inexistentes até então.

Desta forma, uma das soluções para não sofrermos com preocupações seria focalizarmos a atenção no momento presente. Isto não nos isenta de trabalhar pelo futuro, mas simplesmente de viver cada momento integralmente. Por exemplo: durante a leitura de um livro, se pensamos no capítulo seguinte enquanto estamos no atual e ansiamos para que chegue logo então acabamos por prejudicar a compreensão dos dois capítulos; o primeiro por falta de atenção, o segundo pelo mesmo motivo, ou simplesmente porque estaríamos focados num terceiro.

Adotar esta postura perante a vida nos traz tranqüilidade e equilíbrio para lidar com o presente, mas não nos isenta de ainda assim passar por momentos adversos.

Somos humanos, logo sentimos. Seja a raiva, tristeza, alegria, paixão, fome, sono, medo, tudo é natural. Não é possível negar a natureza, somente aceita-la como é. Quando tentamos negar um fato, um sentimento ou qualquer outra coisa estamos então os fortalecendo em nossas mentes. Quando os aceitamos os enfraquecemos - apesar de não deixarem de existir.

Portanto, o medo é algo que pode ser amenizado com a compreensão de suas causas reais e o sofrimento terá a intensidade que alimentarmos com a não aceitação dos fatos.

 

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 21h26
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Jornadas

 

Oh, mundo de ilusões,

Terra de cegos,

Servos de paixões

 

Oh, lágrimas de cada dia,

Ora de tristeza,

Ora de alegria

 

Oh, cruzeiro incessante,

Rumo a um Porto Seguro,

De equilíbrio constante

 

Respostas ao monte,

Diversos horizontes,

Alienantes

 

Desejos constantes,

Promessas definitivas

Falsos diamantes

 

Tantas jornadas,

Tantos aportes,

Não foram para nada

 

Aspirada iluminação,

Finalmente encontrada,

Na própria embarcação

 

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 11h12
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Tesouros latentes

 

                Desde os primórdios o ser humano luta por poder. Seu vazio interior o frustra e ilusoriamente tenta preenchê-lo com o externo. Milhões de vidas foram sacrificadas por isso. Inseguro com suas próprias crenças precisa impor, mesmo que através da força, suas verdades àqueles que pensam diferentemente. Em decorrência desta distância consigo mesmo ainda há guerras.

Este mundo é triste. Por todos os lados encontramos injustiça, sofrimento, desigualdade, desonestidade – frutos do egoísmo.

Como plantas que insistem em nascer e se desenvolver em meio ao caos encontram-se grupos que cultivam verdadeiros tesouros e que fazem jus à denominação de seres humanos. Pacificadores irreconhecíveis à grande massa cega, mas iluminados àqueles que se perceberam como almas eternas.

Com verdades formatadas as religiões alienam as mentes iludindo-as a crenças e rituais exteriores purificadores do interior intocável.

Atualmente estamos numa era de transição onde as roupas de ouro serão substituídas por roupas mais leves e aliviados por isso, poderemos usufruir melhor de nossas potencialidades até então ofuscadas pela carga desnecessária.

Milênios têm sido necessários para começarmos a entrar em contato com os tesouros latentes de nossas almas. Teria sido diferente em decorrência de escolhas mais felizes, mas esta inversão de valores nada mais é do que a opção feita pela maioria.

Quando a revelação ancestral de que “nem só de pão vive o homem” é compreendida em sua totalidade e que os verdadeiros tesouros são os celestiais, a partir daí o caminho, até então de trevas, se ilumina e a luz de dentro brilha mais forte do que a de fora.

Que as escolhas feitas pela humanidade de hoje possa cada vez mais se basear no tesouro invulnerável de sua alma e que o reino do alto finalmente se funda com o de baixo.

 

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 23h20
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A Arte de Viver

 

            Por diversas vezes o homem tentou se separar da natureza. Criou ciências, metodologias, religiões, grupos e sociedades. Para se enquadrar dentro destes grupos é necessário possuir determinado perfil, mesmo que não seja algo voluntário.

            Esta é a nossa sociedade - reflexo de nós mesmos. Julgamos de acordo com a nossa verdade. Aprovamos ou desaprovamos de acordo com o que formatamos como certo e errado em nossas mentes. Este equívoco tem alimentado guerras, conflitos e muitas desavenças na história da humanidade.

            Não somos algo a parte da natureza. Somos parte dela, somos parte do Todo. Somos a própria existência. A natureza é bela e ao mesmo tempo tão heterogênea. Daqui parte o princípio de que não existe o certo e o errado, mas sim pontos de vista diferentes.

            Deixar de julgar é algo impossível. Somos seres racionais que analisam e comparam a todo tempo. Faz parte do nosso instinto de auto conservação. Porém é de suma importância que mesmo em julgando respeitemos uns aos outros.

            O principal caminho para aceitarmos uns aos outros começa na auto aceitação. Quando nos aceitamos e nos amamos, então nos mostramos prontos para fazer o mesmo ao próximo. 

           Tentar se enquadrar em qualquer tipo de formatação que afirma condizer com a verdade absoluta é um ato de auto flagelação. Cada um deve encontrar seu caminho para ser feliz. Deve se dedicar aquilo que julgue importante. Afinal, se todos pensassem igualmente o que seria deste mundo?

            Se hoje condenamos algo é porque também o condenamos em nós mesmos. Este sentimento de culpa não é saudável. Aceitemo-nos como somos. Libertemo-nos de qualquer culpa. O pecado foi criado pelo homem para tentar dominar as grandes massas através do medo. O pecado não existe. Tudo é permitido, mas há questões que não são convenientes. Cabe a cada um de nós analisar isso.

            Existir é muito fácil, mas viver requer muito trabalho. É como uma arte. A arte de viver nos traz aprendizado e nos leva cada vez mais a entrar em harmonia com o Todo do qual fazemos parte. A própria vida, através das adversidades de cada dia nos mostra o melhor caminho. Isto reflete a importância de nos libertamos de conceitos formatados do que é certo, do que é errado, do que é lícito e do que é pecado. Cada um tem o direito de viver como quiser. Fazer o que quiser. Desde que respeite o espaço alheio, para que consequentemente seja respeitado.

Imaginemos um mundo em que cada um possa ser aquilo que realmente queira ser. Sem se importar com os outros, sem  precisar possuir algo para então ser respeitado. Onde todos trabalham pelo bem comum e são tratados da mesma maneira, sem títulos, sem hierarquia, sem obrigações. Onde tudo é voluntário e feito com amor e cada um contribui com seu talento, com aquilo de melhor que tem a oferecer.

Hoje ainda não vivemos num mundo assim, porém somos os arquitetos de nossas vidas. Podemos viver em paz, não importa onde nem quando, a partir do momento em que despertamos esta paz dentro de nós. E é assim que sucessivamente é possível que todos juntos possamos construir um mundo melhor sem desigualdades ou injustiças, fazendo finalmente da vida uma grande obra de arte.

                                                                                                                           

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 14h00
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Inveja

 

            O sentimento de inveja quando exacerbado traz sofrimento e pode até causar doenças naquele que o sustenta. Sente inveja aquele que por qualquer motivo foi incapaz de conquistar. Para justificar seu insucesso procura através da maledicência desdenhar as conquistas alheias. Estuda minuciosamente o cotidiano do invejado em busca de motivos para denegrir sua imagem e tentar encontrar algo que ofusque seu sucesso.

            Pessoas de sucesso não sentem inveja. Há pessoas ricas que não são de sucesso. Há pessoas pobres que o são. A prosperidade independe da condição financeira. É um estado de espírito e aceitação perante a vida. Há os que têm inúmeros contratempos, como diferenças causadoras de discórdia na família, falta de recursos para realizar suas aspirações, deficiência física, mas que ainda assim são pessoas de sucesso, pois aceitam com resignação e paciência a vida que Deus lhe as oferece. Lutam dia a dia com todas suas forças para progredirem sem invejar o próximo.

            Quando não se está satisfeito com a vida, por mais que se busque ter, conquistar, isto nunca será o suficiente. Este estado de insatisfação pode gerar a inveja. A luz alheia incomoda as sombras. Incomoda porque inconscientemente se sabe que cada um é responsável por seu destino, mas consciente e ilusoriamente tenta-se externar as responsabilidades apontando o dedo para o próximo. A satisfação, a felicidade são estados de espírito e isto só se conquista com interiorização. Dolorido que é olhar para si mesmo prefere-se permanecer estagnado na mesma situação. Não progride, sofre com isso e então passa a criticar o governo, o trabalho, os outros.

            A inveja – estado de insatisfação consigo próprio – é também abrandada quando o próximo tropeça em suas lutas. Se o que tropeça desiste de lutar pode se juntar ao time dos invejosos, mas se persiste em crescer logo alcançará seus objetivos, pois todo aquele que planta com amor suas sementes da mesma maneira as colherá.

            Tentemos visualizar o invejoso como irmão necessitado de ajuda e amparo. Não percebe que à medida que inveja amplia o sofrimento. É vítima de si próprio, mas que não sabe o que faz. Eis o motivo pelo qual devemos perdoá-lo ao invés de lhe alimentar qualquer sentimento negativo. Quando perdoamos livramos nosso espírito de cargas emocionais desnecessárias.

            A inveja, o ódio e o rancor existem em demasia neste mundo. Nosso papel como protagonistas de uma Nova Era é o de combatê-los de forma a anulá-los: com amor e paciência.

            Quando se compreende que nenhum patrão, chefe, pai, mãe ou qualquer outra pessoa tem poder sobre nossas vidas não mais se sente inveja. Este poder pertence a nós mesmos e a Deus. Cada um hoje vive aquilo que planta e seu destino independe dos outros. Um patrão, por exemplo, pode ser o responsável pelo quanto vai pagar para seu empregado. Estando Deus acima do patrão, se o mesmo estiver agindo injustamente, cedo ou tarde, o empregado receberá o que merece na empresa em que trabalha ou em outra que surgirá. Aqueles que julgam deter qualquer poder sobre outras pessoas são pobres coitados que se iludem com a transitoriedade das circunstâncias. Perante o eterno há humildes grandiosos e há grandes muito pequenos. Esta é a lógica divina. Paradoxal perante o mundo material, mas sempre justa perante o Todo.

             

            (Tchobi)



Escrito por Tchobi às 13h33
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Segredos Revelados

 

Através de observação tenho comprovado a validade de algumas instruções que nos foram passadas durante a história pelos mestres que a revolucionaram. São difíceis de ser constatadas por contradizerem os valores materialistas do mundo. Gostaria de expor algumas delas. Perceberá paradoxos que refletem o contraste entre o mundo material e o mundo espiritual.

Qualquer situação de sucesso provindo de atitudes negativas significa apenas metade de um processo de ação e reação. É por isso que a ilusão de sucesso provindo de atalhos e facilidades impera sobre a humanidade. Enxergam o imediatismo. Tomam o micro pelo macro e inevitavelmente se frustram com os resultados. No próximo parágrafo, colocarei alguns destes segredos revelados em que acredito.

Não espere nada deste mundo. Não espere ser amado, reconhecido, recompensado. Aceite todos os acontecimentos sem revolta ou indignação. Saiba que existe uma inteligência maior regendo todo o Universo. Com estas atitudes de abnegação então receberá amor, reconhecimento e paz interior. Somente quando renunciar aos seus desejos eles estarão disponíveis para você, porém logo perceberá que muitos deles são desnecessários e permanecerá em renúncia. Não julgue as atitudes alheias. Cada um vive seu momento e segue sua verdade sem perceber que está errando. Não tente se beneficiar sem mérito, mesmo que em segredo. Isto lhe será cobrado mais tarde. Não deixe de cuidar de si mesmo, pois isto fará com que façam o mesmo consigo. Não se importe em se prejudicar quando do lado da verdade e da justiça. Tão logo será recompensado. Não se importe em se sacrificar por outra pessoa. Será recompensado se o fizer sem qualquer interesse. Assuma todos seus defeitos para Deus e peça ajuda para superá-los. Peça aquilo que deseja a ele, mas aceite se não o receber. Quando na tristeza mantenha-se equilibrado. Quando na alegria também. Ambas as situações fazem parte da natureza. Não aceita-las significa não aprovar a vontade divina. Por pior que seja qualquer situação ela sempre aponta para o crescimento. A dor trás reflexão e mudança. A satisfação trás motivação para continuar.  Fale a verdade, respeite, seja honesto e justo. Atrairá pessoas de igual caráter. Não há nada deste mundo que seja proibido de usufruir, porém há coisas que não convém. A morte é como uma passagem. Sentir saudades é normal. Permanecer eternamente em luto mostra distância com Deus. Ele é o maior consolador para qualquer situação. Não se importe se estiver solitário por escolher o caminho de Deus. Em verdade estará muito mais bem acompanhado do que a maioria que se diz nesta condição. Não se culpe por não ser perfeito. Se assim o fosse não estaria na Terra. Trabalhe para crescer e sempre olhe para frente. Utilize de tudo que necessitar para se feliz, mas tenha consciência de que há o supérfluo e o necessário. Observe os sinais de Deus. Estão por toda a parte para que continue a caminhar a seu lado. Não tente mudar qualquer pessoa. Ofereça ajuda e informação para que ela assim o escolha. Não tema o futuro. Apenas plante e colha. Não inveje. Trabalhe e mereça. Fique feliz com a felicidade alheia. Importe-se com os problemas alheios, mas não queira solucioná-los por completo. Isto pode impedir que a devida lição deixe de ser absorvida. Enxergue oportunidades de crescimento a cada desafio. Não rebata a qualquer ofensa injusta. Perdoe-la e reze pelo ofensor. Não reclame de qualquer doença. Aceite-a como dádiva divina depuradora de desequilíbrios da alma. Não reclame de nada e de ninguém. Faça sua parte com vontade e dedicação. Não desdenhe sobre as crenças alheias. Cada um acredita naquilo que lhe convém e condiz com seu momento. Não queira que pensem ou sejam como você. A natureza é diversa e mesmo assim incrivelmente bela.  Não sustente qualquer sentimento negativo de alguém. Isto se manifestará em si próprio. Perdoe compreendendo que cada um faz aquilo que no momento julga correto.

            Todas estas instruções são como forte correnteza de um infinito rio. Segui-las seria como remar a favor deixando-se levar. Ignora-las seria como remar contra. Cedo ou tarde cansa-se de sofrer e a forte correnteza vence. Vencendo o leva para a felicidade e leveza de espírito. Este estado cresce à medida que permite que Deus conduza sua vida. Acredite e vença!

 

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 15h36
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Instinto

 

            Dentre todos os animais da Terra, o ser humano é o único capaz de bloquear seus instintos em favor da razão. Constituído basicamente de parcela racional e outra animal, destaca-se na natureza pelo domínio relativo sobre seus instintos.

             As necessidades instintivas e emocionais movem o mundo e sua economia.De acordo com a Pirâmide de Maslow o homem busca respectivamente satisfazer suas necessidades fisiológicas, de segurança, aceitação social, auto-estima e auto-realização.

             Dentre estes cinco estágios de realização os três primeiros são os mais procurados. A sexualidade, dinheiro e fama são demasiadamente cultuadas na sociedade.  Aqueles que avançam até o quarto e quinto estágios nem sempre são compreendidos. Em face desta incompreensão deparam-se com intensa dificuldade de caminhar, pois remam contra uma correnteza de animalidade dominante no mundo e também neles próprios. Por outro lado a grande maioria encontra facilidades para atender suas necessidades instintivas, embora desconheçam as prováveis conseqüências adversas deste tipo de vida escrava.

             Isto não é bom nem ruim. Simplesmente é parte de um processo evolutivo. Nos primórdios a parcela animal sobressaia a racional. Com o surgimento das civilizações os valores sociais e morais passaram a ser tratados com maior atenção. No futuro os últimos estágios de realização serão mais cultuados e a humanidade se encontrará mais madura. Nesta nova era já existem pessoas que buscam por estas realizações, mas este grupo ainda é pequeno em comparação com a grande massa.

            Neste período de maturidade não haverá mais guerras, não haverá divisões de interesses. Todos trabalharão por um mundo melhor. Cada qual oferecendo aquilo que de melhor tiver para oferecer. Cada país contribuindo com sua especialidade. Juntos todos participarão de uma única e afinada sinfonia.

            Pode-se dizer que estamos em fase de transição. A animalidade ainda nos influencia, mas a racionalidade cada vez mais se manifesta. Estamos na era da informação. Exaustos pelos erros e pela herança cultural selvagem que inconscientemente carregamos em nossas mentes, clamamos por mudança.

            Enquanto isso sem dúvida a vida se faz difícil. Além das dificuldades de viver em sociedade, devido à diversidade de personalidades e interesses com que todos convivem, existem as próprias limitações do ser. O egoísmo, por exemplo, compreensível e proveniente das necessidades primárias do ser, faz com que muitas pessoas sofram consigo próprias.

            Ninguém conseguirá anular sua parte animal da noite para o dia, porém a compreensão deste processo evita sentimentos de autoculpa e atitudes hipócritas de puritanismo. Aceitar-se como um ser suscetível a desejos instintivos significa aceitar-se como ser humano. Alimentar inconseqüentemente a estes desejos significa sucumbir à parte animal. Usar racionalmente os instintos em favor da moralidade, sem causar prejuízos a si mesmo e ao próximo significa caminhar para o futuro. Sem dúvida isto requer muito esforço, mas ao mesmo tempo trás indescritíveis recompensas à alma.

            Compreender este estágio atual pelo qual passamos nos permite sofrer com consciência. A ignorância deste processo progressista nos faz sofrer causando-nos revolta, indignação, falta de fé e maus pensamentos. Como sempre a racionalidade é o diferencial que permite que a humanidade cada vez mais se destaque na natureza – obviamente quando assim escolhe.

 

(Tchobi)

 



Escrito por Tchobi às 23h01
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Oportunidades

 

            A cada novo dia encontramos oportunidades de sermos mais felizes. Nas entrelinhas de cada evento estão respostas para perguntas que fizemos e para todas as outras que ainda nem sequer tomamos consciência de fazer.

            O Universo está em completa harmonia. Ao passo que elétrons fluem do pólo negativo ao positivo, nós caminhamos da escuridão à luz, da ignorância à sabedoria, da tristeza à alegria, do instável ao estável, da vacuidade à plenitude, da infelicidade à felicidade.

            Este processo progressista é implacável. Queiramos ou não estamos passando por uma situação que aponta para uma condição mais feliz. Sem dúvida existem situações que parecem tempestuosas. Elas denotam conseqüências de escolhas equivocadas. É o Universo conspirando para o equilíbrio. Estas conspirações duram o tempo necessário para que a próxima escolha seja condizente com uma situação mais estável. À medida que um padrão de pensamento equivocado se mantém menores se tornam as opções de escolha a seguir até finalmente não haver mais nenhuma senão a imposta pela circunstância.

            A partir daí verificamos a responsabilidade que temos. Quando aproveitamos as oportunidades sincronísticas – situações que parecem coincidência – e escolhemos reformar o homem velho que nos habita, estamos então aumentando nosso leque de ação, ou seja, possibilidades de escolha.

            Magneticamente atraímos situações que se enquadram perfeitamente às nossas necessidades de melhoria. Estas situações são regidas por níveis de prioridade. Isto significa que as principais respostas estão no presente – nem no passado, nem no futuro. Uma maneira de identificá-las é prestando atenção às nossas reações. Quando algo nos incomoda eis aí uma oportunidade de melhoria, pois quando se atinge condição de equilíbrio, qualquer fato exterior será encarado como mera causalidade.

            Isto significa que nos momentos mais difíceis da vida encontram-se as respostas mais importantes. A causa do sofrimento da humanidade está justamente atrelada ao não perceber isso. Enquanto o aluno não aprender corretamente a matéria da prova ele não passará para o próximo ano. Na escola da vida não há como trapacear. Eis o porquê de situações semelhantes, quando não idênticas, perdurarem em nossos cotidianos.

            ‘Bem aventurados os tristes porque eles serão consolados...Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça porque eles serão saciados’. A vida é justa e reflete nossas escolhas. Acontece que nem sempre percebemos isso, pois quando em estado de dor, como num gesto de defesa, preferimos exteriorizar as responsabilidades a nos encarar como verdadeiros autores da nossa infelicidade. Serão consolados todos que estiverem tristes ou numa situação adversa; ou por livre e espontânea vontade de mudar ou por cansaram-se de sofrer e se encontrarem sem alternativas de rota. Serão saciados todos que tiverem fome e sede de justiça, pois cada um colherá aquilo que plantar.

            Que façamos da auto-avaliação um hábito para que identifiquemos com mais facilidade estas oportunidades de mudança que a vida nos traz. Que não nos esqueçamos que a vida fica mais leve à medida que nos livramos das amarras que nós mesmos nos implantamos. Que agradeçamos por cada momento triste ou alegre, pois, como parte de um todo, nos levam sempre para o mesmo destino: a felicidade.

 

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 14h20
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Nos bastidores da vida

 

Vivo em estado de luta

Rumo ao que julgo ser felicidade

Minto a todos e até a mim mesmo

Muito dura seria a realidade

 

Um vazio me habita

Almejo prazer, destaque e propriedades

Igualo-os à prosperidade

Permaneço em vacuidade

 

Procuro me enquadrar num grupo

Preciso ser aceito, amado e considerado

Agrado a todos sempre sorrindo

Esqueço de mim mesmo

 

Mantenho tudo sempre limpo e organizado

Etiqueto as prateleiras em ordem alfabética

Planejo tudo com antecedência

Sinto-me inseguro

 

Aponto defeitos alheios

Sinto-me superior

Apontam meus defeitos

Sinto-me injustiçado

 

Clamo por justiça

Permaneço imóvel

Crio expectativas

Frustro-me com o mundo

 

Leio bastante

Procuro respostas

Deparo-me com verdades parciais

Adoto-as como absolutas

 

Vivo em estado de luta

Rumo ao que julgo ser felicidade

Minto a todos e até a mim mesmo

Muito dura seria a realidade

 

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 10h54
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A Luz do Deserto

 

Durante período de guerra, dois pilotos em seus caças de última geração travavam luta aérea cada qual tentando destruir o outro. Experientes, há horas e sem êxito tentavam se destruir. Sobrevoando área desértica depararam-se com forte tempestade de areia, a qual inesperadamente os derrubou. Sobreviveram às quedas, devido ao amortecimento do solo arenoso e à baixa velocidade que se encontravam naquele momento.

Um dos pilotos avançou em direção ao outro. Encontraram-se e começaram a lutar. Entretidos com a disputa, certo momento rolaram morro abaixo. Exaustos, pararam e subiram novamente.  Entreolharam-se com ódio, mas perceberam que naquele momento não havia nada a ser feito senão procurar alguma maneira de sobreviverem em meio aquele deserto. Estava anoitecendo, a temperatura cairia e isto era preocupante.

Mais tarde, sentados num dos restos de carcaça de um dos caças, olhavam para o deserto escuro, porém estrelado. Muitas perguntas se passavam por suas mentes. Tinham famílias, responsabilidades, suas vidas para cuidar.

Repentinamente forte luz começou a brilhar em meio àquela escuridão. Curiosos e na esperança de se salvarem caminharam naquela direção. À medida que se aproximavam percebiam que se tratava de um grande Templo, curiosamente iluminado por luzes que vinham do céu mesmo à noite.

Alcançando as escadarias, foram recebidos por simpática pessoa que logo os felicitou:

- Sejam bem vindos ao Templo Luz do Deserto. Eu sou Gabriel – disse-lhes sorrindo.

- Olá ! Meu nome é Paulo. Represento as tropas vermelhas das terras do Sul.

- Boa noite! Eu me chamo Thiago. Represento as tropas laranja do Oeste.

- Pelo visto vocês não são amigos. Mas como vieram parar aqui?

            Então explicaram a Gabriel toda a situação. Paulo chamou Gabriel de lado e lhe alertou para tomar cuidado com Thiago, pois poderia ser muito perigoso. Thiago fez o mesmo.

            Convidados a entrar no Templo, dirigiram-se ao conselho de lá:

- Vou lhes apresentar ao nosso líder, Lúcio. Ele lhes poderá ajudar – disse Gabriel.

            Entraram então no conselho, apresentaram-se e sentaram-se à extensa mesa; Lúcio à ponta, Paulo à esquerda e Thiago à direita. Gabriel se retirou.

- Muito bem Senhores, em que posso lhes ajudar? – começou Lúcio.

- Quero voltar para minha terra – disseram os dois em uníssono.

- Entendo. O que têm feito de bom de suas vidas?

- Eu me dedico ao meu país através do serviço militar. Já recebi oito medalhas de honra pelas vitórias contra tropas que destruímos nestas últimas décadas de guerra – disse orgulhosamente Paulo.

- Sou o mais experiente piloto de caça de meu país. Pelo mesmo motivo de Paulo, também recebi medalhas de honra. Sou uma pessoa de sucesso e muito respeitada onde vivo. Tenho muito poder e dinheiro. Através de meus negócios tenho cada vez mais enriquecido graças a minha capacidade administrativa – disse Thiago com os olhos brilhando.

- E o que têm feito de bom a outras pessoas?

- Eu sirvo meu país. Indiretamente já ajudo a muitas pessoas que nem precisam se preocupar com a guerra – disse Paulo.

- Eu cuido da minha família. Pago escola para meus filhos e as despesas de casa – disse Thiago.

            Repentinamente materializam-se duas pessoas, dois anjos guardiões, cada qual ao lado de seu tutelado. Dirigem-se a Lúcio em pensamento:

- Senhor, peço que os permita regressar. Esta discórdia vem se arrastando há mais de cinco séculos. Precisamos fazer com que se reconciliem – disse o guardião de Paulo.



Escrito por Tchobi às 10h10
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- É verdade Senhor, além do mais, acredito que após se reconciliarem poderão dar mais atenção à suas famílias e também ao próximo – disse o protetor de Thiago.

- Cinco séculos de discórdia se passaram e vocês me pedem mais uma chance? Meus planos eram de resolver esta desavença através do amor paternal na próxima encarnação.

- Senhor, pedimos apenas mais uma chance. Comprometemos-nos em inspirá-los para que tudo ocorra diferentemente desta vez – disse o guardião de Paulo em nome dos dois.

            Neste mesmo momento, forte luz provinda do alto penetra na sala. Lúcio ouve uma voz e imediatamente se ajoelha emocionado:

- Lúcio, estive avaliando esta situação e encontrei nela oportunidade não apenas de reconciliação entre Paulo e Thiago, como também das duas nações que representam. Enviei forte equipe espiritual que dará apoio aos dois guardiões e a todos que estiverem envolvidos nesta discórdia. Após muito sofrimento, os dois povos cresceram moralmente e conquistaram merecimento para que a guerra termine. Ela apenas se mantém por falta de discernimento dos líderes. Estes serão alertados em sonho para que os planos maiores se concretizem. A Nova Era se instaura e a paz se faz necessária a partir de hoje. Permita-os regressarem imediatamente. Que a paz esteja com você!

- Mestre, que a sua vontade seja feita assim como queira!

A luz se desfaz e Lúcio se pronuncia:

- Senhores, vocês estão liberados para regressar. A princípio estava planejado que deixassem o plano terrestre após entrarem neste Templo, mas por ordem do Alto ainda têm pendências a cumprir. Vão em paz!

Paulo, Thiago e seus guardiões o agradecem. Gabriel os acompanha até a saída. Amanhece. Paulo acorda dentro da cabine de seu caça e vai em direção a Thiago, que também recém acordara:

- Olá! Eu sei que supostamente nós somos inimigos, mas será que você teria um pouco de água? Estou com sede – disse Paulo.

- De fato deveríamos nos odiar, mas não sinto qualquer sentimento deste tipo neste momento. Você é um homem como eu. Talvez tenha familiares como eu. Estamos na mesma situação. Eu também tenho sede e eis aqui um pouco de água – disse Thiago sorrindo e sereno.

Saciados, conversaram e se reconciliaram. Guiados pelo Sol andaram rumo à cidade mais próxima. A imprensa internacional publicou: “Inimigos se ajudam em pleno deserto e ambos se salvam”.

A notícia comoveu o mundo inteiro. Ambos os países assinaram acordo de paz. Paulo e Thiago voltaram a seus lares. Fizeram do resto de suas vidas exemplos de amor ao próximo e dedicação. A harmonia em suas famílias e em suas vidas perdurou. Frequentemente se reuniam relembrando as lições do ocorrido no deserto.

A vibração do planeta se elevou. Pequenas guerrilhas e desentendimentos se extinguiam com o passar do tempo. Um único gesto de amor entre inimigos repercutiu em todo planeta, deixando registrado na história uma data de referência para a paz.

           

Não importa onde estejamos, na cidade, no deserto, ao dia ou à noite; certamente haverá luz nos guiando e zelando pela instauração do amor em nossos corações.

 

(Tchobi)

 

 

“Quando um único homem atinge a plenitude do Amor, neutraliza o ódio de milhões”.

(Mahatma Gandhi)



Escrito por Tchobi às 10h09
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A Terra dos Cegos

 

            Numa aldeia desconhecida da civilização, localizada num oásis em pleno deserto, centenas de pessoas viviam muito felizes. A fartura e a prosperidade caracterizavam o local. Cegas de nascença trabalhavam pelo bem comum. Neste singular espaço havia terras férteis e água em abundância. Havia habitação e alimentos para todos. Reuniam-se diariamente no Templo. Procuravam agradecer a divindade através da meditação em conjunto. Viviam em total harmonia e cada vez mais se aprimorando. Desconheciam a existência de outras civilizações e este era um tema largamente discutido por lá.

            Certo dia, um habitante resolveu sair da aldeia em busca de novos horizontes. Queria saber o que existia além daquele alegre paraíso. Apoiado por todos preparou suas coisas e começou a caminhar sem destino naquele deserto. Muito bem abastecido pôde seguir naquele caminho por dias inteiros sem problemas. Após uma semana de caminhada, quase descrente de encontrar algo novo ouviu vozes ao longe. Emocionado apertou o passo e foi em direção a elas. Encontrou uma cidade repleta de pessoas. Ansioso começou a conversar logo com o primeiro que encontrou:

            - Bom dia. Venho de longe e gostaria de conhecer sobre a vida e os costumes desta cidade. Poderia me ajudar?

            - Não posso. Sou apenas um mendigo.

            - Mendigo? Bem, eu não sei o que isto significa, mas poderia me dizer o que faz durante o dia?

            - Sim, isto eu posso. Eu acordo logo pela manhã e me sento aqui. Por causa do acidente, desfigurei meu rosto e nunca mais consegui trabalho. Com fome, fui obrigado a sair às ruas para pedir. Há dias que consigo o suficiente, há outros em que durmo com fome e até com frio.

            -  De onde veio não existe isso. Gostaria de ir à minha terra? Lá não há fome, nem miséria. Todos são prósperos e ricos. Nosso maior tesouro baseia-se em valores morais.

            - Não. Você é cego e não sabe o que fala. Está numa situação pior do que eu. Sua terra não terá nada a me oferecer. Prefiro continuar aqui onde tudo conheço.

            Caminhando pela cidade pedia a cada um que encontrava que lhe explicasse seu papel naquela cidade:

            - Sou comerciante. Vendo frutas e verduras. Trabalho todos os dias para sustentar minha família. Há meses que venho trabalhando arduamente, mas sem sucesso para pagar minhas dívidas. Estamos por tempos muito difíceis.

            - Sou professora. Alfabetizo crianças na escola. Tenho trabalhado em duas escolas para poder comprar remédios para minha mãe adoentada.

            - Sou padre. Prego a palavra de Jesus na Igreja. Não sei o que se passa com as pessoas, mas parece que cada vez mais se afastam de Deus. Percebo que a Igreja está cada vez mais vazia. Isto tem dificultado a compra de novas esculturas em ouro, bem como a reforma geral que gostaríamos de fazer por lá. Possuía vinte empregados. Agora só possuo dez. A vida não está fácil. Não sei o que se passa.



Escrito por Tchobi às 14h03
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            - Sou engenheiro. Construo casas, praças e galpões. Tenho ganhado muito dinheiro, mas minha mulher não quer mais saber de mim pelo fato de ter me ausentado por muito tempo de casa em razão do trabalho. Meus filhos estudam na melhor escola da cidade. Têm tudo do bom e do melhor, mas não dão valor a mim nem a minha mulher. Só querer saber de suas coisas. Não gostam que os incomodemos, não conversam e só se aproximam para pedir.

            - Pobre homem cego, nos convida a sua terra sem nos conhecer e julga poder nos oferecer algo. Que homem mais triste – disseram todos quando o cego se retirara daquela cidade.

            Convidara a todos, porém se recusaram. Desolado voltou ao deserto e guiado por sua forte intuição retornou à feliz aldeia.

            Chegando lá os habitantes o felicitaram:

            - Olá, seja bem vindo! Encontrou alguma coisa?

            - Queridos amigos, que bom estar novamente com vocês. Encontrei uma cidade bem distante daqui. Havia muitas pessoas e muitas outras coisas que não temos aqui.

            - E como eram as pessoas?

            - Tristes. Jamais havia visto tamanha tristeza em toda minha vida. Têm mais do que o necessário, porém não percebem. Eles me comoveram.

            - Pobres pessoas – disse um dos habitantes.

            - Quando os convidei para conhecer nossa terra me chamaram de cego.

            - O que é um cego?

            - Não sei. Até agora não consegui entender o que significa está palavra, mas de qualquer forma, vamos todos nós canalizar nossas energias àquelas pessoas tão tristes e que pouco enxergam para que recebam alguma luz em suas vidas.

            Jornadas como estas a outros locais ocorreriam mais vezes. Os habitantes da feliz aldeia preocupados com seus irmãos tristes frequentemente os visitariam. Combatidos em grande maioria, nunca desistiriam de trazer novas pessoas àquela singular terra próspera. Sabiam que era um trabalho árduo e pacientemente compreendiam as limitações daquelas pessoas que ainda não enxergavam.

 

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 14h02
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O Pesadelo

 

            Deitado em sua cama, Lúcio repousava para mais um dia de trabalho na cidade grande. Sua vida agitada o cansava física e mentalmente. Não reclamava da vida, apenas queria se desligar um pouco através do conforto do sono. Como de costume antes de deitar fez suas orações e bebeu seu copo de água. Em vinte minutos adormeceu. Não demorou muito e começou a sonhar.

            Entrou numa casa próxima a sua onde encontrou pessoas conhecidas que respeitava. Cansado ficou num dos cantos da casa e caiu imóvel. Em poucos instantes perdeu a consciência. Era como se deparasse com algo assustador. Acordou, mas em poucos instantes voltou a perder a consciência.

            Finalmente depois de três vezes perder a consciência e voltar começou a visualizar o que acontecera naquele mesmo local.

Estavam de guarda e vigiando a casa da frente. Esta tinha as janelas perfuradas por balas. A rua se mostrava vazia. Subindo para o andar acima foi até a sacada. Encontrou-se com outra pessoa que carregava metralhadora. Mulher de vinte e poucos anos, trajada com calça das forças armadas e camiseta branca. Estava há várias horas naquele posto para eventual ataque.

Entregou a Lúcio sua arma e foi embora dali. Disse para testar a mesma. Lúcio de frente para as janelas todas perfuradas na outra casa encontrou o alvo para o teste. Apertou o gatilho. Em menos de cinco segundos que a arma se manteve atirando pelo menos dez balas transpassaram para aquela casa.

Instantaneamente a rua, antes vazia, se mostrou repleta de pessoas. Lúcio desceu para conferir o que se passava e uma pessoa que não conhecia na vida real, mas que em sonho lhe parecia familiar veio até ele com olhar de consolo:

- Lúcio, não tem mais volta!

- Mas o que aconteceu?

- Sabe estes tiros que disparou lá de cima?

- Sim, sei. Mataram alguém?

- Não, mas deixou uma pessoa paraplégica.



Escrito por Tchobi às 10h10
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            Lúcio sentiu forte aperto em seu peito e não conseguiu emitir sequer uma palavra. Instintivamente abraçou-o em busca de consolo. Compreendendo que Lúcio não o fizera por mal, mas que responderia por seus atos retribuiu o abraço transparecendo seus sentimentos com simples olhar.

            Atordoado Lúcio, sentia que toda aquela multidão que agora preenchia o vazio daquela rua o culpava pelo ocorrido. Instantes depois passa o baleado sendo empurrado numa cadeira de rodas. Mostrou-se com as costas sangrando. Lúcio olhou para ele e na tentativa de pedir desculpas, com o peito completamente apertado, atônito fez um gesto com as mãos dizendo em pensamento:

 - Eu te amo.

Este gesto, simples, sincero e intenso foi suficiente para anular toda animosidade existente no local e de lá pôde sair.

            Lúcio pôde então se levantar do canto da casa onde perdera por três vezes a consciência. Com o peito ainda apertado se dirigiu à senhora que por lá estava. Ela lhe disse que não é fácil se lembrar de determinadas coisas que fizemos, principalmente quando prejudicamos alguém. Não foi a toa que perdeu a consciência. Seu remorso era tamanho que instintivamente queria deixar de existir. Ninguém o julgava a não ser ele mesmo. Este era o pior julgamento. Poderia esconder do mundo inteiro seu passado, menos de si mesmo. As lembranças vão surgindo à medida que cada um se mostra pronto para digeri-las. Enquanto isso ficam em estado latente escondidas nas ruas do inconsciente.

            Quando perdera a consciência achou que poderia acordar daquele pesadelo horrível, mas só o pode após ter se lembrado, revivido em pensamento, compreendido as implicações daquele acontecimento e finalmente se perdoado.

            Duas horas após ter se deitado, Lúcio finalmente acordou em sua cama. Ainda em estado de choque respirou diversas vezes até finalmente se sentir livre de tamanha carga psicológica. Voltou a dormir por mais algumas horas. Levantou sentindo-se mais leve e animado para mais um dia normal de trabalho.

 

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 10h10
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Perguntas e respostas – Parte I

 

Deus existe?

R: Sim e está em todas as partes. Não o percebemos porque nossos sentidos não podem captá-Lo. 

 

Se Deus existe por que Ele permite tamanha desigualdade e injustiças no mundo?

R: Ele quer que cresçamos por nós mesmos. Através dos erros e acertos da vida aprendemos o caminho e passamos a dar mais valor às conquistas. Aquilo que é conquistado sem trabalho e merecimento não tem valor. As desigualdades se dão devido ao estágio que cada um passa perante a evolução do espírito. Este estágio determina nosso discernimento e influi também nas escolhas, quanto mais evoluídos melhores nossas escolhas.

 

Quais são as Leis de Deus?

R: Existem várias leis. Há leis morais e físicas. Desconhecemos todas, mas à medida que escolhemos caminhos errados nos deparamos com o insucesso. O insucesso nos traz sofrimento. Por instinto evitamos o sofrimento e conseqüentemente aprendemos o caminho a ser seguido. Várias personalidades iluminadas vieram ao mundo tentar nos codificar as Leis de Deus em linguagem categórica. Daí surgiram as religiões. Todas convergem para Deus, cada qual a seu modo devido o contexto histórico da época, mas se extraída a essência da mensagem de cada um percebe uma constância, principalmente focada na harmonia geral e no amor ao próximo.

 

Qual o propósito da existência?

R: Deus, completo que sempre foi e com amor infinito, resolveu compartilhar sua felicidade. Eis o motivo de nos ter criado.

 

Por que não somos como Ele?

R: Porque fomos criados simples e ignorantes para que passo a passo fôssemos aprendendo suas leis e o caminho da felicidade. Quando compreendermos e percorrermos este caminho por nós mesmos finalmente seremos felizes e saberemos dar o devido valor, pois terá sido a custo de muito trabalho, sofrimento e abnegação.

 

Por que sofremos tanto?

R: O sofrimento fruto da ignorância. Ele se mostrará desnecessário a medida que cada um compreende os desígnios de Deus e desiste apenas de querer alimentar seus próprios desejos egoístas.

 

Qual o caminho para a felicidade?

R: A felicidade é conseqüência natural de maturidade espiritual. Aquele que muito conhece não erra, logo sofre menos e faz de suas escolhas motivo de mais aprendizado e crescimento. Atualmente na Terra não existe a felicidade plena, mas pode-se dizer que é feliz aquele que busca seu aperfeiçoamento a cada dia. Para isso é necessário admitir que se tem defeitos e a partir daí começar seu trabalho de reforma íntima.

 

Que fundamento existe na reencarnação?

R: A reencarnação nada mais é do que a expressão da justiça divina e suas leis. Se houvesse apenas uma vida como Deus permitiria tamanha desigualdade? Como pode haver pessoas usufruindo do bom e do melhor enquanto outros apenas se deparam com pobreza e sofrimento constante? Isto exprimiria um Deus injusto e indiferente. Cada pessoa encarna segundo suas necessidades de aperfeiçoamento do espírito. Visto que cada um está em determinado grau de evolução eis o porque das desigualdade. Mesmo assim todos um dia alcançarão a perfeição. Seja pela própria vontade, seja através do sofrimento.



Escrito por Tchobi às 16h49
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Existe destino?

R: Existem situações que são determinadas a acontecer, planejadas antes de cada encarnação, porém podem ser alteradas de acordo com a conduta do espírito. O destino é fruto das escolhas de cada um. Colhe-se aquilo que se planta.

 

Por que não nos lembramos das vidas passadas?

R: Porque poderia nos abalar emocionalmente e fazer com que a vida atual não fosse produtiva.

 

Se hoje passamos por problemas é porque merecemos? Podemos sair deles?

R: Sim, todos problemas pelos quais hoje passamos são fruto de nossas escolhas. Aos problemas que envolvem terceiros pode-se entende-los como provas. Quando compreendermos que os problemas apenas existem porque assim os consideramos perceberemos que tudo depende do valor que damos a cada um deles. Aos apegados à matéria a pobreza significa infelicidade. Aos desapegados, que valorizam primeiramente os valores morais isto não necessariamente seria motivo de sofrimento. Tudo depende da maturidade de cada pessoa. Os problemas possuem dentro de si as soluções para nossa vida. Se depararmos com pessoas explosivas, eis aí oportunidade para desenvolver a paciência. Este foi apenas um exemplo, mas que possamos perceber que as dificuldades são conseqüência de nossas escolhas e que ao mesmo tempo são chaves para sair delas, desde que aprendamos a lição de cada uma delas. Enquanto não se aprende a dificuldade persiste. Deus assim o faz porque inexoravelmente nos quer ver felizes e isto só é possível se aprendermos cada lição que se mostra a nossa frente.

 

Por que é tão difícil seguir o caminho do bem, mesmo quando já o conhecemos?

R: Num mundo onde a maioria ainda emana pensamentos negativos a influência para o mal é muito maior do que para o bem. Seguir o caminho do bem neste planeta é como remar contra a correnteza. O caminho do bem sem dúvida é mais trabalhoso, conseqüentemente mais meritório. Este trabalho intenso a favor do amor de Deus nos fortalece a ponto de em certo momento podermos também ajudar o próximo que ainda segue o caminho errado.

 

Existem pessoas de natureza má?

R: Não, elas apenas desconhecem que o único caminho é o do amor. Todos um dia perceberão isso, pois ao passo que uns escolhem por si só, outros o fazem após muito sofrerem com as leis progressistas que nos induzem ao bem. Eis o porquê do mal nunca prosperar. Se hoje prospera é porque ainda não chegou ao fim.

 

Por que Deus permite que pessoas boas vivam em mundos onde a maldade impera?

R: Para se aperfeiçoarem na prática do bem, para serem testadas e também para ajudarem seus irmãos que igualmente clamam por evoluir, apesar de desconhecer ainda as causas que os levam ao sofrimento.

 

Qual é a hora certa de mudar e porque temos medo disso?

R: A hora certa é agora, pois quanto mais demorar para seguir um caminho que reconheceu como correto, mais tardará para gozar da felicidade inerente a esta escolha. O Universo conspira para que mudemos. Seja através do sofrimento ao estagnado, seja através do incentivo àquele que escolheu se aperfeiçoar. A mudança nos conduz a uma situação desconhecida. Na dúvida, muitas vezes se prefere ficar na mesma situação de sofrimento. Isto exprime insegurança e falta de fé.

 

O que acontece se repentinamente todas nossas escolhas condizerem com as leis de Deus?

R: Desde que partam do fundo do coração e que não seja tentativa de enganar o Criador então passaremos a sentir as conseqüências felizes de seguir os desígnios de Deus. Vale lembrar que ninguém muda da noite para o dia. Desta forma é importante que nos reformemos gradativamente de acordo com nossa possibilidade. Deus não tem pressa. Quer que sejamos felizes e por isso mesmo nos proporcionou a possibilidade de crescermos em várias vidas através das reencarnações.

 



Escrito por Tchobi às 16h45
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Por que acredito em Deus? 

1) Definição de Deus:

Da mesma maneira que eu sou uma consciência que possui personalidade independentemente do meu invólucro de carne, Deus assim também o é, mas num grau infinitamente superior. Sua consciência é onipresente e atua com suas próprias leis. Umas já conhecidas por nós, outras ainda não conhecidas. Organiza o Universo hierarquicamente. Para cada grupo de consciências existe um superior administrando. Pode-se entender como consciência o espírito ou alma.

 

2) Onipresença de Deus:

Da mesma maneira que inúmeras células constituem materialmente nosso corpo, as infinitas consciências, incluindo nós mesmos fazem parte de Deus, apesar de cada uma possuir sua individualidade e evoluir por si só.

 

3) Por que acredito em Deus?

a) Eu não posso compreender todo o sistema divino, mas por intuição e razoabilidade acredito nele. Se pudesse compreende-Lo seria um fato, não uma crença.

b) Percebo como Deus atua a todo instante em nossas vidas, através de suas leis físicas e de suas leis morais. Isto explica as desigualdades sociais no mundo. Não existem injustiças, o que existe é merecimento. Deus não é bonzinho. Deus é justo. Se Ele fosse bonzinho num passe de mágica acabaria com as desigualdades e sofrimento, mas isto seria contraditório com suas leis. Ele quer que aprendamos por nós mesmos. Aquele que tem tudo sem esforço não dá valor.

c) Estamos num processo contínuo de evolução. Isto ocorre com todo o Universo. Ele é constituído basicamente de matéria, energia e consciência. No caso dos minerais, esta consciência está em estado latente. Nos vegetais existe restrita mobilidade. Nos animais se mostra mais expressiva. Nos seres humanos se mostra com muito mais possibilidades. Nós estamos evoluindo, mas não só em espírito. Isto ocorre também com nossos átomos (matéria) e com nossa energia que se transforma a todo instante.

 

4) Como ser feliz em plenitude?

As leis divinas, também conhecidas como Dharma, são perfeitas e imutáveis. Aquele que se esforça para viver em função destas leis é o mais feliz, pois não encontra adversidades. Se eu tentar contrariar a lei da gravitação universal serei uma pessoa muito triste, porque não conseguiria. O mesmo ocorre para aqueles que tentam contraria leis morais.

 

5) Quais as leis morais de Deus?

Algumas leis físicas nos foram passadas com mais clareza a partir de Newton, apesar de serem relativas ao nosso mundo macro continuam sendo essências para nosso cotidiano.

As leis morais foram da mesma forma passadas durante a história, porém de maneiras diferentes. Não é como na física que possuímos padrões como o SI, por exemplo. As leis morais são as mesmas, mas foram codificadas diferentemente pelas consciências superiores que aqui passaram. Exemplos: Krishna, Moisés, Lao Tsé, Gautama Buda, Jesus Cristo, Maomé. Todas doutrinas ou religiões convergem para o mesmo ponto: Deus, mas por questões de interpretação e até limitação do homem parecem divergir.

Estas consciências superiores que nos tentaram a sua maneira exprimir o Dharma, na época foram incompreendidos por muitos.

 

6) Por que é tão difícil acreditar em Deus?

 Uns acreditam em Deus achando que Ele seja um tirano. Infelizmente muitas religiões têm sucesso através desta falsa premissa. Outros tentam limitadamente compreende-lo.

Mas por vivermos num mundo material e estarmos limitados aos nossos cinco sentidos deixamos de perceber tudo que se procede no metafísico. Somos como formigas cumprindo sua missão, porém que desconhecem aquilo que sai de suas rotinas. Duvidar da existência de Deus não é uma blasfêmia. É um direito daquele que precisa compreender por completo para aceitar uma idéia. Assim se baseia a ciência. Fica complicado expor em linguagem limitada a cinco sentidos os conceitos da divindade que abrange talvez dezenas de sentidos ainda desconhecidos para nós.

Todos nossos sentidos são limitados e adaptados ao nosso habitat. É por isso que não podemos compreender o que está fora daqui. Isto apenas ocorre porque não há necessidade ainda de compreendermos mais. Que diferença faria para uma formiga saber que existem peixes a quilômetros de profundidade no oceano?

 

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 09h05
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Prazer, dinheiro, poder e felicidade

 

         Muitas religiões e filosofias condenam a busca pelas alegrias provindas do mundo. A busca pelo fruto proibido vem desde o começo da civilização como tentativa de controlar a conduta dos homens. Isto de fato funcionou para algumas pessoas mais tementes às conseqüências de suas atitudes egoístas. Para outras funcionou em parte e para a maioria restante não funcionou.

         Todos nós somos egoístas, mas a conotação que se usa na sociedade é pejorativa. Egoísta é aquele que apenas pensa em si e não se importa com os outros. O uso deste vocábulo neste texto será outro. Egoísta é aquele que pensa em si, porém não necessariamente se esquece dos outros. Para efeito didático aquele que busca a satisfação de seu ego significa o que vive em função da satisfação de seus desejos mundanos.

Nos extremos de personalidades encontramos duas possibilidades: aquele que vive em função do ego e aquele que vive em renúncia do mesmo. Estes caracterizam respectivamente o materialista e o místico.

         O objetivo de todos é ser feliz, porém cada um a sua maneira. A chave para esta felicidade não está nem no materialismo nem no misticismo; ela se encontra no equilíbrio entre ambas as partes. O materialista pode vir a se tornar escravo de seu ego, enquanto que o místico por muito se abster pode vir a contrair doenças e até falecer. O sucesso na vida consiste em saber usufruir com sabedoria daquilo que o mundo nos oferece.

         O problema não está no prazer, no dinheiro e no poder. O problema está na utilização dos mesmos. Primeiramente precisamos compreender o propósito de tudo isso. O prazer é algo inerente às alegrias, às emoções. Senti-lo não é errado. Nada mais é do que conseqüência de determinadas situações. O dinheiro é uma ferramenta importantíssima. Sem ele não teríamos o desenvolvimento tecnológico, pesquisas para o bem geral, geração de empregos e novas oportunidades. O poder também é algo importante. Precisamos de hierarquias para administrar e delegar funções de acordo com o potencial de cada um. Estes foram apenas alguns exemplos. Façamos analogia a ferramentas. Da mesma maneira que podemos utilizá-las para a manutenção de algo, poderíamos utilizá-las como armas ou coisas do tipo.  Eis então que o problema não está nas ferramentas, mas sim no uso que se faz delas.

         Não precisamos então abdicar de tudo isso, apenas utilizemos cada coisa deste mundo para fins nobres e não para mera satisfação de desejos egoístas.

         Pode ainda surgir outra dúvida: por que não buscar a satisfação destes desejos? A resposta pode ser controversa à idéia de muitos, mas a grande verdade é que nenhum destes desejos mundanos realizados será motivo de felicidade real, mais precisamente, da felicidade da alma. Será apenas motivo de alegria passageira.

         Mesmo aquele que se mantém em constante alegria passageira, em essência, não é feliz. Ele pode assim se julgar, mas na verdade desconhece o que seja a paz de espírito independente dos fatores externos da vida.

         Se pararmos para pensar perceberemos que muitos de nossos objetivos rumam para alegrias passageiras. Isto não é algo assustador. É muito comum para atual condição moral do planeta. Cada um tem seu tempo para mudar. Uns mudam por vontade própria, outros só o fazem quando sentem na própria pele esta necessidade. De qualquer maneira todos aspiram pela felicidade plena, mas desconhecem que o caminho seja através das alegrias da alma e não das passageiras.

         Atualmente estamos viciados em determinados comportamentos, rotinas e buscas por alegrias passageiras. Nosso cérebro acredita que somos felizes toda vez que as praticamos, porém o vazio interior e a necessidade de buscar mais se mantêm. Daí então a importância de buscar alegrias da alma.

         Portanto que cada um possa aos poucos encontrar sua maneira de utilizar os artifícios mundanos para sua verdadeira felicidade e não mais para uma provisória e instável. Este é um dos motivos pelo qual estamos vivendo, não apenas pela estabilidade social, mas principalmente pela estabilidade como pessoa, como ser humano. Eis aí um grande propósito de vida que faria do mundo um lugar repleto de altruísmo combatendo de vez o egoísmo dominante que causa tamanhas injustiças em toda parte.

 

(Tchobi) 



Escrito por Tchobi às 15h47
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Meu primeiro texto de 2006.

 

Um Lugar No Mundo

 

         Todos nós buscamos um lugar no mundo. Clamamos por nos enquadrar em grupos, sejam eles de amigos, de trabalho ou qualquer outro grupo social. A necessidade deste enquadramento provém do instinto de sobrevivência humana. Desde os primórdios aprendemos que as chances de sobrevivência eram maiores quando acompanhados. A solidão sempre foi um fator preocupante. Eis então a pressão psicológica que sente o excluído.

         A importância de estar num grupo muitas vezes causa tristeza a algumas pessoas que por algum motivo nele não estão ou dele se afastaram. De fato existem muitos benefícios de viver em sociedade, principalmente no desenvolvimento do respeito às diferenças de cada um. Apesar dos conflitos que marcam nossa história, à medida que a civilização se adianta moralmente a paz vem se tornando cada vez mais forte no objetivo de todos, por maior que seja a ambição existente.

         Para fazermos parte de um grupo necessitamos de requisitos mínimos. Eis aqui onde muitos se entristecem por julgarem que fazer parte de determinado grupo os faria felizes. Hoje em dia há grupos que requisitam de tudo: vestuários de grife, corpos esculturais, carros potentes, condição social, etnia, religião, aspirações em comum, dentre outros. O mais interessante é o que a mídia tem feito, principalmente com os jovens que mais têm acesso a ela. Há, por exemplo, pessoas que se sentem entristecidas por não possuírem um parceiro, outras por não possuírem emprego.

         Tudo isso é compreensível, pois se relaciona com questões inerentes a nossa natureza. O ser humano não apenas possui instinto de sobrevivência, como também o de perpetuação da espécie.

         Não podemos de maneira alguma julgar qualquer grupo, porém é importante refletir sobre a diferença entre o que a sociedade nos requisita e o que nós mesmos realmente queremos para nossa vida. Por melhor que seja a socialização não podemos nos esquecer que primeiramente vem a auto-satisfação. Não podemos viver em harmonia num grupo se conosco mesmos estamos em conflito. Estes conflitos muitas vezes são provenientes de nossas escolhas. Por mais que pensemos que determinados caminhos sejam os corretos, nossos inconscientes clamam por outras escolhas as quais realmente aspiram. Então estes momentos de conflito nos servem como ponto de partida para reflexão do que pode estar errado.

         Toda esta cobrança que os modelos sociais nos fazem é um dos fatores que causam descontentamento, mas por trás dela existe outro muito mais importante, apesar de muitas vezes passar despercebido: a auto-cobrança, a essência que clama por justificar nossa existência no mundo. O que somos se nada fazemos? Qual a nossa utilidade ou contribuição para o mundo além de apenas buscarmos nossa sobrevivência? Para existirmos nada mais precisamos do que alimento, repouso e um teto. Para vivermos de verdade surgem então as incontáveis necessidades que tanto buscamos. Os materialistas acreditam que o viver se relaciona com o ter. O místico acredita que o viver se relaciona com o se abster. O verdadeiro segredo da vida está justamente no equilíbrio. Está no saber buscar e priorizar cada necessidade.

         Todos buscam um lugar no mundo, seu papel no todo, como uma pequena engrenagem num grande maquinário. Por mais inativos que julguemos ser, nossa existência por si só é algo único e insubstituível. Temos infinitas possibilidades de nos tornamos úteis e não necessariamente precisamos de posses para poder oferecer. Há situações adversas inerentes ao ser humano em que nada palpável as poderiam solucionar, mas que apenas poderiam através de simples palavras ou demonstrações de carinho, inerentes ao nosso ser. Eis aí a maravilha que é existir e como todos nós, por mais que ainda não saibamos, temos nosso insubstituível lugar no mundo.

 

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 10h57
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Eis abaixo 5 contos que escrevi em 2005.

Espero ter tempo e inspiração para escrever mais.



Escrito por Tchobi às 10h12
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Riquezas

 

Primeira metade do século XVI, época de explorações e novas descobertas. Gonçalo e Bernardo conduziam uma caravela que partira de Portugal rumo ao Brasil. Levavam trabalhadores para extração de riquezas daquela colônia recém descoberta.

Gonçalo, capitão, costumava pregar lições de moral cristã aos marinheiros que lá estavam sob seu comando. Enxergava oportunidades para propagação do cristianismo em cada situação. Impecavelmente vestido, não se separava de sua bíblia, a qual recorria para encontrar respostas para todas as situações.

Bernardo era também líder, porém responsável pela extração. Longe da família, não se importava em deixá-los por uns tempos. Não tinha religião, pois nunca sentira esta necessidade. Idealista, zelava pelo bem comum. Sabia que muito contribuiria ao seu país com as riquezas que extrairiam.

Outras caravelas os acompanhavam. Vinte dias decorridos. Tudo dentro do esperado. Eis que uma mudança radical no clima estaria por ser o começo de muitas emoções. Ainda por volta das onze da manhã, nuvens escuras ofuscavam a claridade do dia, quando se formou intensa corrente de ar deixando a todos desesperados. Velas foram baixadas, perdeu-se contato visual entre as caravelas. Águas escuras e agitadas. Ventos fortes e quentes. Pessoas jogadas ao mar tentando se salvar, outras sem saber para onde ir ou o que fazer. Ondas enormes agitavam a embarcação furiosamente. Cenário completamente instável e incerto. Não havia mais nada a ser feito a não ser esperar. Gonçalo junto aos seus marinheiros regia orações a Cristo em ritmo musical e tom desesperador.

Cessou-se a tormenta. Coincidência ou não, sua caravela fora a única restante. Gonçalo e Bernardo lideraram seus comandados para a manutenção e organização da embarcação. Naquele mesmo dia foram levantadas todas as avarias e baixas. Ar de preocupação se instaurou por todos. Parte dos mantimentos, incluindo alimentos e água potável, havia se perdido. Possuíam o suficiente para mais duas semanas. Não sabiam ao certo onde estavam. Apenas sabiam que antes da tormenta estavam há quarenta dias do destino.

Direcionados pelo Sol, rumaram para Oeste. Gonçalo acreditava que Cristo os proveria do que comer e do que beber. Reservou parte dos mantimentos para si e outros para supostamente dividir com Bernardo. Escondera-os em seu quarto, enquanto grande parte da tripulação dormia.

Passou-se uma semana e começaram a sentir falta dos mantimentos. Os marinheiros acusaram os trabalhadores. O contrário também ocorreu. A mando de Gonçalo, procuraram por toda caravela em busca destes mantimentos desviados. Nada foi encontrado, pois seu quarto não foi vasculhado. Quem desconfiaria do próprio capitão?

         Bernardo dizia a Gonçalo que estava preocupado. Faltavam em torno de trinta dias para terminarem a viagem e havia o suficiente para mais alguns dias. Gonçalo tentava acalma-lo dizendo para ter fé, pois Cristo os proveria o necessário. Bernardo não sabia o que era fé. Era um homem que preferia agir a esperar. Foi conversar com seus amigos trabalhadores. Pediu sugestões e ouviu cada um atentamente. Ficou concluído que o fator mais preocupante era o da água potável. Ironicamente aquele Oceano de água salgada não serviria para matar a sede da tripulação.

         Os dias se passaram e a água se esgotou. Todos estavam desesperados. A morte eminente se mostrava cada vez mais próxima. Não sobreviveriam por muito tempo, ainda mais com a elevada temperatura durante o dia – conseqüência da proximidade com a linha do equador.

         Eis então que novas esperanças estariam a surgir. Na cozinha, um dos encarregados pela alimentação da tripulação percebeu certas gotículas de água formadas no teto. Estava com sede. Usando suas mãos pôde encher meia caneca de água. Experimentou e percebeu que não era a mesma água salgada que usara para

Escrito por Tchobi às 10h11
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preparar o almoço. Era água condensada pelo vapor. Simples, desconhecia as propriedades da água e seus estados físicos. Intrigado, chamou por Bernardo, pois sabia que aquilo poderia ser útil para a situação em que se encontravam.

         Bernardo tampouco compreendia sobre as propriedades da água, porém observou como a mesma se comportava. O cozinheiro repetiu o procedimento com água salgada. Decorridos alguns minutos, pôde perceber o processo de condensação do vapor quando em contado com o teto. Após beber pequeno volume, Bernardo constatou que de alguma maneira o sal se separava da água. Resolveu então fazer uma experiência em larga escala. Obstinados a sobreviver e se esquecendo de suas diferenças, todos se uniram e contribuíram para o andamento do processo. Grandes recipientes foram cheios com a água do mar. Alguns centímetros acima dos recipientes, usaram velas com certa inclinação. Aqueceram os recipientes. Em alguns minutos a água condensada escorria pelas velas para um outro recipiente. Em poucas horas conseguiram destilar o suficiente para toda viagem.

         Gonçalo estava maravilhado. Era mais um obra de Cristo. Sentiu intenso remorso pelo que fizera. Devolveu tudo que desviara enquanto a maioria dormia pela noite. No dia seguinte, muitos tripulantes caíram em prantos de tamanha emoção ao se depararem com aqueles mantimentos. Para uns serviria de reafirmação da fé, para outros um mistério, para Bernardo um caso a ser investigado, mas que não convinha naquele momento.

Em três semanas chegaram ao Brasil. Famintos, foram muito bem recebidos pelos nativos tão calorosos e prestativos daquela região. Já em terra firme, Gonçalo perguntou a Bernardo se agora ele acreditava em Cristo. Bernardo disse que não via motivo para aquilo, mas nunca deixou de acreditar que encontrariam uma solução. Era um homem de fé - em si mesmo.

Gonçalo aprendera com tudo isso que o poder da fé não estava vinculado com Cristo, mas sim com a intensidade de seu próprio acreditar. Pôde perceber que mesmo sendo um assíduo estudante da bíblia não possuía ainda os tamanhos valores morais de Bernardo. Isto o fez refletir. Estivera buscando por um Cristo errado. Buscara pelo ser humano que ele foi e não por seu Cristo interno. Confundia admiração e personalismo com sabedoria adquirida. Bernardo não era catequizado, nem tampouco conhecia aquelas escrituras. Mesmo assim suas atitudes o denotavam como um verdadeiro cristão. Encontrara todas estas verdades em si mesmo.

Voltaram para Portugal. A caravela estava repleta de riquezas. Gonçalo mais tarde saberia que a maior delas estava contida na experiência de vida pela qual havia passado. Uma lição de fé e de onde deve originar-se.



Escrito por Tchobi às 10h11
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Grandes Expectativas

 

         No Brasil, por volta de Agosto de 2055, vivia Ronaldo, um senhor casado e pai de dois filhos. Religioso, reunia-se semanalmente em busca de conforto sentido pela companhia de pessoas que passavam igualmente por situações de lutas e adversidades. A Fraternidade, nome dado à doutrina da qual faziam parte, fora fundada em Junho de 2023 por ex-integrantes da antiga religião dominante da época - que se findara em razão de incontestáveis revelações sobre o mundo espiritual feitas no início daquela mesma década. Grande parte da população mundial passou a fazer parte desta nova doutrina. Embasada na ciência, filosofia e religião, acabou por atrair aos mais diversos tipos de pessoas.

         Era tido como verdade que por trás deste mundo havia entidades espirituais administrando e auxiliando a humanidade e que após a morte se deparariam no mesmo plano espiritual no qual estavam. Após aquele período de revelação muitos passaram a desejar evoluir-se espiritualmente. Apenas se falava nisso. Os canais de comunicação usavam slogans como “Ajude na campanha contra a fome e garanta seus pontos no céu”. Nunca houvera tamanha preocupação com o plano espiritual e com a maneira pela qual se sucederia a passagem para o mesmo. Um dos fundamentos da doutrina provinha de uma antiga religião cristã: “Amai ao próximo como a ti mesmo”. Este era o motivo que movera a tantos à prática da caridade, filantropia e voluntariado.

         Em poucos anos a miséria diminuíra consideravelmente no globo, pois com cada um querendo fazer bem ao seu próximo, repartindo seus bens, fazendo doações aos mais necessitados e constantemente ouvindo palavras consoladoras na Fraternidade, não poderia se esperar algo diferente.

         Uma das atividades que passou a impulsionar a economia brasileira era a atividade de comunicação com o plano espiritual chamada de mediunidade. Médiuns eram doutrinados e desenvolvidos para cada vez mais servirem à espiritualidade, porém não percebiam que deveriam oferecer gratuitamente aquilo que lhes foi igualmente dado. A espiritualidade compreendia esta situação inerente às fraquezas humanas e permitia que assim continuasse porque o mais importante era que as comunicações entre os diferentes planos se mantivessem.

Nascido em Março de 1973, Ronaldo desde 2038 soubera que viveria até Setembro de 2055. Sentia-se ansioso com sua eminente partida, mesmo sabendo que seria durante o sono. Seus parentes fizeram uma grande festa de despedida, afinal era uma data muito feliz. Ronaldo poderia colher tudo que plantara durante sua vida. Sempre ajudando o próximo carregava a certeza de que possuía pontuação de sobra naquele “Reino dos Céus”.

         Como previsto, partiu logo na primeira semana de Setembro. Deixando seu corpo finalmente alcançaria o plano espiritual. Após algumas horas acordou num local simples, porém em completa ordem. Percebendo sua condição de espírito recém chegado, levantou-se em busca de respostas. Queria obter informações refinadas como, por exemplo, saber de sua situação perante a eternidade, pois a Fraternidade despertara em si o instinto investigativo.

         Retirou-se daquele casebre e percebeu uma infinidade de outras semelhantes acomodações naquele local. Formavam uma extensa colônia. Esperando-o do lado de fora estava Gandhi, o responsável por lá. Ronaldo, vislumbrado pela recepção tão sublime se ajoelhou perante ele. Gandhi logo o levantou e lhe deu as boas vindas.

         Antes que começassem as perguntas Gandhi lhe fez uma breve introdução explicando do que se tratava aquela colônia:

         - Ronaldo, sei que possui muitas dúvidas em mente, mas gostaria de primeiramente lhe passar algumas informações que se fazem necessárias. Você está num dos inúmeros planos espirituais existentes na Terra. Eu o coordeno já há alguns milênios desde que me comprometi a deixar meu planeta de origem e a ajudar vocês no trabalhoso e recompensador propósito de evoluir espiritualmente.  Estive algumas vezes com vocês na forma humana sendo minha última estada no século vinte. Você está aqui porque merece. Afinal dedicou sua vida para os outros.

         - Sr. Gandhi, eu não estou compreendendo. Eu esperava estar num plano superior, de preferência fora deste planeta. Ajudei tantas pessoas, doei parte do que tinha e reservei meu tempo de lazer para a caridade, será que não mereço algo melhor?

         - Primeiramente, Ronaldo, não precisa me chamar de senhor. Somos todos iguais perante Deus. Você de fato fez tudo isso, mas se esqueceu de um detalhe.



Escrito por Tchobi às 10h09
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         - Qual detalhe? Eu segui o tal propósito fielmente. Amei ao próximo como a mim mesmo.

         - Quase isso. Você amou ao próximo muito mais do que a si mesmo. Por mais que tenha evoluído ao ser caridoso, acabou se esquecendo de sua reforma interior.

         - Mas do que está falando?

         - Bem, como lhes foi revelado, o propósito da vida é a evolução do espírito, da purificação da essência divina que cada um de nós carrega. Na medida em que evoluímos, mais felizes e completos nos sentimos. É assim que Deus quer que sejamos, porém através de nosso próprio esforço, para que possamos valorizar tudo que conquistamos. Desde os mais simples minerais até os mais inteligentes seres existentes no Universo, todos estão em processo de evolução. Evoluir é algo que apenas pode ser feito por cada um. Não há como uma pessoa evoluir pela outra. É por esta razão, Ronaldo, que ainda terá que permanecer neste plano terrestre e continuar seu processo de purificação através de outras passagens pela Terra com a finalidade de se desvencilhar totalmente do mundo material e finalmente estar apto a viver em esferas superiores e menos densas, hoje ainda invisíveis a sua percepção limitada.

         - Nossa! E porque vocês da espiritualidade não nos avisaram sobre isso?

         - Quando percebemos que estavam se ajudando muito mais do que a si mesmos, acabamos por interpretar isto como uma fase necessária do processo de evolução. Existem inúmeras pessoas como você. Igualmente, numa próxima oportunidade poderão se dedicar não somente aos outros, como também principalmente a si mesmos.

         - Gandhi, então quando terei esta oportunidade?

         - Você a terá após receber instruções de psicologia espiritual e reforma íntima. Espero que aproveite bem sua passagem aqui na colônia. Chamarei o seu responsável para que lhe passe as coordenadas de suas tarefas. É uma pessoa que sempre esteve muito próxima de você. Aquele que carinhosamente chama de anjo da guarda. Ele esta esperando que terminemos esta conversa para lhe reencontrar.

         - Eu vou me lembrar dele?

- Tenho certeza que sim.

 - Muito obrigado pelas explicações. Vou passar a cuidar um pouco mais de mim a partir de agora. Espero poder fazer direito desta vez.

- Não se culpe meu caro. O erro faz parte do processo de aprendizado. Não conheço ninguém que tenha chegado até aqui sem ter errado alguma vez na vida.

- Sinto-me mais aliviado. Obrigado novamente!

         - Boa sorte, Ronaldo e até breve!

         - Até!

         Ronaldo levaria mais alguns séculos no plano espiritual, preparando-se para a nova passagem. Com o tempo foi se lembrando de suas outras passagens e de quantas oportunidades desperdiçara com os apegos mundanos. Após compreender os desígnios de Deus para com a humanidade e que todo este processo caminharia para a felicidade de todos, tornou-se mais seguro de que o esperado “Reino dos Céus” estaria por vir, porém compreendia agora que este reino não era um lugar específico e sim sua própria felicidade interior, conseqüência da árdua jornada do autoconhecimento e reforma íntima.



Escrito por Tchobi às 10h09
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O Senhor do Tempo

 

Numa dimensão além do tempo e espaço vivia Cronos. Senhor do tempo resolveu investigar detalhadamente o que estava se passando, pois havia um enorme fluxo de pessoas deixando e retornando a Terra.

 Através da força do pensamento materializou-se por volta do ano 10.000 antes de Cristo. A Era Glacial chegara ao fim e com o desenvolvimento da agricultura formaram-se as primeiras civilizações. Os princípios de igualdade se iniciavam com sociedades que trabalhavam por um bem comum, afinal após tanto sofrerem com o frio da última era, acabaram por se unir para enfrentarem estes obstáculos que iam de encontro com a sobrevivência de toda a espécie humana.

Avançando para o ano 3.000 antes de Cristo, Cronos percebeu notáveis diferenças. As civilizações estavam mais organizadas. A escrita se manifestava e havia também certo domínio sobre os metais. Com imensos monumentos, pirâmides e tumbas estava claro o quanto haviam evoluído em se tratando de conhecimento. Mesmo assim percebeu que algo estava errado. A igualdade existente há 7.000 anos não mais existia. Muitos trabalhavam para que poucos gozassem do que havia de melhor. Estes eram considerados como pessoas sagradas e eram respeitados como Deuses. O povo se sentia injustiçado e indignado com tamanha desigualdade. Não se conformavam com isso e a luta pelo poder se mostrava constante. Tanto para os pobres quanto para os ricos o sinônimo de felicidade nesta época era o poder.

Saindo dali Cronos avança dois mil anos e se materializa nas proximidades de um deserto. Observa que os antigos escravos fundaram outra civilização onde rituais religiosos eram seguidos segundo dez mandamentos que regiam as normas de conduta dos cidadãos. A intensidade das lutas diminuíra, mas por uma questão de fundamentalismo religioso os conflitos continuavam.

Cronos acreditava que com o passar do tempo estes seres tão promissores se livrariam disso. Avançou pouco mais de mil anos e ao alto de um monte se encantou com as palavras de um estranho homem que nascera em Nazaré. Ele se identificava como o filho enviado por Deus, o messias prometido, aquele que traria paz a Terra. Durante quase duas décadas se manteve afastado da sociedade vivendo como um homem comum. Eis que aparece, aos trinta anos de idade e começa sua árdua jornada de explicar e também acrescentar conceitos às antigas escrituras. Muitos o condenaram e por medo o crucificaram. Seu corpo não suportou, mas seus conceitos viraram sólidas referências para o mundo.

Após uma breve passada pela idade média, Cronos assustado pela violência exercida em nome do Nazareno, avançou para o ano 2.000. Ficou maravilhado com as transformações. Observou o desenvolvimento tecnológico, a organização das sociedades e a intensa corrida atrás de formação acadêmica e profissional para conseguirem manter um determinado padrão de vida. O ócio existente em tempos passados era considerado como perda de tempo para aqueles que a cada minuto de tudo queriam experimentar. Sua alegria durou pouco. Voltando-se para o hemisfério norte e retornando para o sul percebeu questões preocupantes: as desigualdades sociais ainda existiam e a luta pelo poder se tornara menos explícita, porém muito mais intensa. Através de falsa publicidade países de grande poder bélico se faziam de pacíficos e cooperadores ao passo que em segundo plano almejavam o domínio e o monopólio de certos recursos naturais do planeta. A inteligência do ser humano estava incrivelmente desenvolvida, mas da mesma maneira que era usada para o bem de todos também era usada para o mal com a finalidade de atender interesses de uma classe dominante que como no passado visava se manter no poder.



Escrito por Tchobi às 10h07
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         Cronos avançou para o ano 3.000. O mundo moderno chegara ao seu ápice e com ele o mal também se desenvolvera. Os países do hemisfério norte foram devastados quase em totalidade por um asteróide que caíra no Oceano Ártico pouco depois da segunda década do século vinte um. Prevendo a tragédia os países mais fortes, daquele hemisfério, invadiram os subdesenvolvidos que por falta de desenvolvimento bélico não tiveram escolha para abrigá-los. Havia solo suficiente para o cultivo e produção de alimentos para todos. Era uma questão de escolha. Podiam todos trabalhar por um bem comum ou lutar novamente pelo poder. Infelizmente escolheram a segunda opção. Os habitantes dos países invadidos ofereceram suas casas para que se hospedassem. Prepotentes não aceitaram. Queriam obter o controle total destes pobres países do hemisfério sul. Um dos líderes encontrara uma solução muito cruel para o término destas diferenças. Exilaria aqueles que supostamente em nada teriam a acrescentar à sociedade. Aplicou-se um teste de conhecimentos gerais em todo o planeta. Dois terços da população não sabia nem ler nem escrever. Estes foram exilados para o hemisfério norte onde mais tarde com o impacto do asteróide morreriam em poucos segundos com as intensas ondas geradas na região e conseqüente resfriamento da mesma. Bilhões de seres humanos simples e humildes morreram de uma só vez. Com tantas mortes a distribuição de renda e alimentação passaram a se estabilizar e assim até o término do terceiro milênio muito puderam se desenvolver. Cronos não imaginava que o conhecimento pudesse acarretar em tanto sofrimento.

         Avançou então para o ano 10.000. Não sabia o que estaria por vir. Ao materializar-se em solo terrestre vislumbrou-se com uma inesperada harmonia em que os seres humanos estavam vivendo. Relembrou-se dos princípios de igualdade existente há vinte mil anos. Das vinte bilhões de pessoas que habitavam o planeta em 3.000 restavam apenas cem milhões. Por volta de 6.000 a desigualdade social se mostrava muito intensa e os grandes líderes mundiais exilaram definitivamente os nativos dos países que haviam invadido e que já estavam habitando há três mil anos. Os latinos americanos, brasileiros, africanos, indianos, tibetanos, dentre outros foram todos exilados para a Austrália. O restante do mundo habitável, que consistia na América do Sul e África, basicamente estava sob comando dos grandes líderes dos antigos países de primeiro mundo. A Austrália se tornou um país fraco economicamente, porém muito forte cultural e moralmente.  Todos trabalhavam por um bem comum. Com a experiência milenar de suas culturas, uniram-se e retomaram o desenvolvimento partindo da agricultura. Não havia empregos, porém havia trabalho para todos. A cooperação, disciplina e a força de vontade foram fatores primordiais para o equilíbrio e igualdade social que se estabelecia. As poucas doenças que surgiam eram sanadas através de terapias alternativas a base de ervas e passes energéticos. Trabalho, dedicação e felicidade eram os atributos desta nova Austrália. A natureza era implacável. Os continentes americano e africano estavam poluindo absurdamente o planeta. Eis que em 8.000 com a redução da camada de ozônio em decorrência deste destrato, as geleiras que até então cobriam todo hemisfério norte passaram a se derreter. Os ventos do norte se colidiram com os do sul. Nos Oceanos Índico e Atlântico, uma sucessão de furacões de quinta ordem devastaram completamente os dois continentes dominantes no planeta. Um deles alcançou a Austrália, devastando uma fração daquele país renascido. Os únicos sobreviventes em todo o planeta eram os que restaram na Austrália. Nesta mesma época imigraram para seus países de origem, pois o mundo voltara a ser como era no século vinte um, com a diferença de não mais ser habitado como antes. Em dois mil anos, por volta de 10.000, a Terra estava novamente povoada como antigamente, porém não mais havia um sistema capitalista onde a desigualdade imperava. Havia um sistema onde cada país cooperava com o que tinha de melhor e o dinheiro se fez desnecessário mediante a conquistada e merecida evolução espiritual desta nova geração.

         Cronos voltou para sua dimensão. Estava contente por ter acompanhado toda a trajetória desta espécie e percebeu como de certa forma as previsões daquele Nazareno estavam corretas. Os mansos e pacificadores acabariam por herdar a Terra.



Escrito por Tchobi às 10h07
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O Revolucionário

 

São Paulo, por volta de 2005, vivia Fabiano, um jovem muito inteligente de vinte e dois anos que lutava por um futuro melhor. Trabalhava e fazia faculdade. Vindo de uma família de classe média nunca havia passado qualquer tipo de necessidade financeira. Sua faculdade de direito, onde cursava o quarto ano, fez com que lhe surgissem alguns sentimentos de revolta perante as desigualdades sociais.

Muito criativo, exprimia suas idéias num fórum de discussões na Internet. Era admirado por seu senso de justiça e por acreditar incondicionalmente num ideal de igualdade. Muito lia sobre os grandes revolucionários que lutavam pelo mesmo ideal. Estas bases literárias serviam como combustível para o desenvolvimento de suas discussões.

Mais tarde, através da colaboração de admiradores, fundou um grupo de estudos sobre estes temas que tanto o agradavam e o completavam. Seus finais de semana eram ocupados por estas atividades de estudo. Os temas mais discutidos eram sobre maneiras de mudar a tão injusta situação da sociedade. Muitas sugestões eram dadas. Desde um socialismo radical até um capitalismo com maiores oportunidades para aqueles menos favorecidos.

Para Fabiano nada mais importava além de buscar justiça para o mundo. Costumava menosprezar tudo ou todo aquele que se mostrasse adverso aos seus ideais. No grupo de estudos conheceu Daniela, que mais tarde, por afinidade intelectual passou a ser sua principal aliada, bem como sua namorada. Havia uma paixão enorme entre os dois. Passavam horas discutindo sobre a causa.

Alguns meses se passaram. Fabiano se mostrava uma pessoa inflexível e infeliz. Muito criticava e pouco fazia. Era muita teoria e pouca prática. Expulsou alguns participantes do grupo. Pelo fato de terem outros compromissos com suas famílias e amigos não puderam comparecer em todas as reuniões. Fabiano os considerava traidores, fracos, covardes, pois aquilo o denotava falta de compromisso e irresponsabilidade.

Apaixonado pelo ideal não percebia a razão de sua insatisfação. Quando questionado alegava que a razão era decorrente da desigualdade social, mas não convencia.

Certo dia, sozinho com Daniela, caiu em prantos ao dizer que não mais sabia o que se passava. Daniela acariciava seus cabelos enquanto deitado em seu colo exprimia suas angústias revoltado com um mundo que não o compreendia.

 Fabiano lembrou-se de um de seus colegas de estudo: Marcelo, uma pessoa equilibrada e que apesar de não possuir religião era muito apegado a Deus. Ele o expulsara do grupo de estudos por ter faltado em duas reuniões consecutivas. Nem perguntara o motivo. Mais tarde ficou sabendo que seu pai estivera internado durante vinte dias daquele período. Vítima de pneumonia, por se encontrar em estado de idade avançada, muito teve que lutar para receber alta.

Fabiano foi visitá-lo. Ficou impressionado pela receptividade mesmo após todo o ocorrido. Conversaram sobre diversos assuntos. Num deles discutiram sobre a vida de alguns profetas responsáveis pelo surgimento de algumas religiões no mundo. Fabiano queria entender como puderam lutar por um ideal mantendo a serenidade e equilíbrio. Marcelo explicou que por mais que sentissem a injustiça no mundo, nunca haviam vinculado seus estados emocionais com o cumprimento de suas metas. Não esperavam por rapidamente extinguir todo o mal. Simplesmente fizeram de suas vidas a transformação que queriam para o mundo. Nunca deixaram de acreditar no bem comum, porém sabiam e aceitavam o fato de que isto demandaria mais tempo do que o tão curto período de suas passagens por este mundo. Marcelo ressaltou também sobre o contraste entre o passado e o presente. No passado o mais forte era o dominante. Hoje em dia o que tem feito diferença são a sabedoria, a sensibilidade e a capacidade de lidar com situações adversas.

Compreendendo que o sofrimento fazia parte de um processo de renovação mundial e que a tão esperada igualdade seria conseqüência de tudo isso Fabiano encontrou um outro sentido para sua vida. Percebeu que não amava Daniela e se separaram. Continuariam amigos e não perderiam contato.

Marcelo abrira seus olhos. Apaixonado por seus ideais esquecera de si mesmo. Deste dia em diante, Fabiano procurou se abrir para novos conhecimentos. Queria compreender um pouco melhor do mundo a sua volta, da razão de nem sempre as coisas fluírem como queria. Marcelo explicaria isso e mais coisas. Acabaram se tornando grandes amigos e sempre felizes não puderam mudar as injustiças que ainda pairavam no ar, mas fizeram do resto de seus dias a transformação que queriam para o mundo.



Escrito por Tchobi às 10h05
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O Hóspede

 Num distante vilarejo onde o mundo moderno ainda não havia chegado. Márcio, marido de Mônica, era proprietário de um Hotel.
Todos os dias, Mônica esperava ansiosamente por seu marido até que chegasse do trabalho para lhe servir o jantar e conversar sobre os acontecimentos do dia. Ela o amava verdadeiramente e se mostrava disposta a ajuda-lo em qualquer situação.
Márcio era uma pessoa distante e reservada. Sempre de cara fechada, muito escutava e pouco ouvia, muito falava e pouco dizia.
 Sempre quiseram ter filhos, mas Mônica não conseguia engravidar. Seu marido nunca lhe dissera, mas deixara de deseja-la após alguns anos de tentativas.
 Insatisfeito com a vida preenchia seu vazio interior dedicando grande parte de seu tempo ao trabalho em seu Hotel. Buscava alegrias que o pudessem lhe fazer esquecer da suposta infelicidade que possuía em casa.
 Interagia com muitas pessoas, mas internamente se sentia solitário. Houve um tempo em que se envolveu com uma de suas funcionárias. Sua mulher ficou sabendo através de uma amiga, mas nunca quis acreditar.
 O tempo passou. Márcio de muitas alegrias provou. Ainda triste e cansado de sofrer, percebendo que de nada adiantava outra mulher ou qualquer outra alegria imediata passou então a se questionar. Por que não conseguia ser feliz? Seria ele um homem injustiçado pelo destino?  O que estaria lhe faltando? 
 Certo dia, esbarrando-se com um hóspede incomum e de trajes humildes iniciou uma conversa de onde acabaram surgindo respostas às suas questões: “Márcio, a felicidade não está nas coisas ou nas pessoas. A felicidade está dentro de cada um de nós e só poderemos alcança-la quando nos autoconhecermos suficientemente”. Impressionado Márcio perguntou como poderia fazer para se autoconhecer. O hóspede lhe respondeu: “Procure refletir sobre suas atitudes sempre se colocando no lugar do outro. Isto fará com que passe a tratar as pessoas da  mesma maneira que gostaria de ser tratado”.
 Naquele mesmo dia, Márcio ao retornar para casa, relatou o ocorrido a sua mulher. Mônica disse que estas palavras lhe pareciam muito familiares, apesar de não conseguir se lembrar de quando ou onde as havia ouvido. Márcio, como não tinha nada a perder, procurou colocar em prática os conselhos daquele sábio hóspede de trajes humildes.
 Em pouco tempo, Márcio pôde sentir algo até então inédito. Sentia-se feliz. Era um calor que partia de seu coração e se expandia por todo corpo. Inexplicavelmente um mês depois Mônica engravidou. O casal que até então levava uma vida apagada e sem brilho pôde resgatar, mas de uma maneira definitiva, o mesmo sentimento de alegria e felicidade do tempo em que eram recém casados. A prosperidade passou a fazer parte do cotidiano dos dois. Vitória sem dúvida estava em boas mãos.
 As pessoas que conheciam Márcio perceberam suas mudanças e de certa forma passaram a se contagiar com tamanho entusiasmo. Perguntavam sobre como havia conseguido alcançar este estado de paz interior. Ele simplesmente lhes repetia as poucas palavras daquele sábio hóspede de trajes humildes.
 Pouco a pouco, sucessivamente, o povo daquele vilarejo conseguiu alcançar a mesma felicidade de Márcio seguindo as palavras do hóspede. Paz, harmonia, amor. Era tudo que os viajantes percebiam quando entravam naquele tão singular e distante vilarejo onde o mundo moderno ainda não havia chegado.

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 10h00
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   Mensagem de boas vindas

Olá, sejam bem vindos ao meu novo blog!

Como de costume continuarei a postar textos, contos, relatos ou comentários de minha ou de outras autorias, tudo com o propósito único de trazer reflexão e aprendizado a todos nós. Sintam-se à vontade para fazerem comentários.

Meu antigo blog contém vários posts e é neste link: http://tchobton.tripod.com/alemdotrivial

Sejam bem vindos!

Atenciosamente,
Ricardo Tchobnian - Tchobi 



Escrito por Tchobi às 09h50
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