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A Terra dos Cegos
Numa aldeia desconhecida da civilização, localizada num oásis em pleno deserto, centenas de pessoas viviam muito felizes. A fartura e a prosperidade caracterizavam o local. Cegas de nascença trabalhavam pelo bem comum. Neste singular espaço havia terras férteis e água em abundância. Havia habitação e alimentos para todos. Reuniam-se diariamente no Templo. Procuravam agradecer a divindade através da meditação em conjunto. Viviam em total harmonia e cada vez mais se aprimorando. Desconheciam a existência de outras civilizações e este era um tema largamente discutido por lá.
Certo dia, um habitante resolveu sair da aldeia em busca de novos horizontes. Queria saber o que existia além daquele alegre paraíso. Apoiado por todos preparou suas coisas e começou a caminhar sem destino naquele deserto. Muito bem abastecido pôde seguir naquele caminho por dias inteiros sem problemas. Após uma semana de caminhada, quase descrente de encontrar algo novo ouviu vozes ao longe. Emocionado apertou o passo e foi em direção a elas. Encontrou uma cidade repleta de pessoas. Ansioso começou a conversar logo com o primeiro que encontrou:
- Bom dia. Venho de longe e gostaria de conhecer sobre a vida e os costumes desta cidade. Poderia me ajudar?
- Não posso. Sou apenas um mendigo.
- Mendigo? Bem, eu não sei o que isto significa, mas poderia me dizer o que faz durante o dia?
- Sim, isto eu posso. Eu acordo logo pela manhã e me sento aqui. Por causa do acidente, desfigurei meu rosto e nunca mais consegui trabalho. Com fome, fui obrigado a sair às ruas para pedir. Há dias que consigo o suficiente, há outros em que durmo com fome e até com frio.
- De onde veio não existe isso. Gostaria de ir à minha terra? Lá não há fome, nem miséria. Todos são prósperos e ricos. Nosso maior tesouro baseia-se em valores morais.
- Não. Você é cego e não sabe o que fala. Está numa situação pior do que eu. Sua terra não terá nada a me oferecer. Prefiro continuar aqui onde tudo conheço.
Caminhando pela cidade pedia a cada um que encontrava que lhe explicasse seu papel naquela cidade:
- Sou comerciante. Vendo frutas e verduras. Trabalho todos os dias para sustentar minha família. Há meses que venho trabalhando arduamente, mas sem sucesso para pagar minhas dívidas. Estamos por tempos muito difíceis.
- Sou professora. Alfabetizo crianças na escola. Tenho trabalhado em duas escolas para poder comprar remédios para minha mãe adoentada.
- Sou padre. Prego a palavra de Jesus na Igreja. Não sei o que se passa com as pessoas, mas parece que cada vez mais se afastam de Deus. Percebo que a Igreja está cada vez mais vazia. Isto tem dificultado a compra de novas esculturas em ouro, bem como a reforma geral que gostaríamos de fazer por lá. Possuía vinte empregados. Agora só possuo dez. A vida não está fácil. Não sei o que se passa.
Escrito por Tchobi às 14h03
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