Além do Trivial
  

Diálogo entre dois mundos (Ficção)

 

- Ola terráqueo, que bom que está aqui. É sempre interessante conversar com pessoas do seu planeta, pois me faz lembrar do passado – tempos em que a vida era superficial.

- Olá meu caro extraterrestre! Fico contente por aprender com seres mais experientes.

- Em que posso lhe servir. Sei que tem muitas perguntas, algo normal no seu atual estado evolutivo.

- Sim, tenho muitas dúvidas. Reconheço que sou cego e gostaria de poder enxergar. O que devo fazer para me tornar livre de mim mesmo, de meu ego que tanto me sufoca e traz sofrimento desnecessário?

- O mundo material lhe faz acreditar que a felicidade está em coisas, na satisfação dos sentidos, na autonomia financeira, no reconhecimento e no poder. Desde pequenos são educados para um mundo competitivo. Vivem em função de um mundo ilusório. Frustram-se por não ter. Comemoram quando conquistam.  Não se satisfazem por muito tempo e logo voltam à frustração inicial julgando não possuírem o suficiente. Vivem em ciclos viciosos que deturpam a realidade de quem são.

 - Quem realmente somos?

- Vocês são a combinação de espírito, mente e corpo. Mas em grande maioria vivem em função dos dois últimos - daquilo que chamou de ego.

- E qual o problema disso? Só percebo com a mente e com o corpo. Por que deveria viver em função de algo que é abstrato?

- Porque representa a única coisa que permanecerá.

- E como faço para atender não somente ao meu ego?

- Reflita sobre suas atitudes. Será que não tem agido se importando em demasia com a opinião alheia e com os benefícios que obtém com isso?

- Claro que sim. Afinal vivo em função de uma sociedade. Tenho uma reputação a manter.

- Esta reputação é da imagem que criou e não de quem realmente é.

- E por que isto acontece?

- Porque assim o escolheu. Consciente ou inconscientemente.

- Como faço para não mais me importar com esta imagem, mas sim com quem realmente sou?

- Siga sua consciência. O que pode parecer certo para você não necessariamente o parecerá para os outros. Não tenha medo de não se enquadrar nos padrões da sociedade. Não é porque a sociedade valoriza somente a imagem e não a pessoa em si é que você também tenha que cair nesta armadilha ilusória.

- Mas eu tenho medo do que os outros poderiam pensar.

- Para não mais sofrer é necessária coragem e determinação. Paciência, humildade, compaixão e tudo aquilo que seus grandes mestres já lhe disseram.

- Existe alguma religião correta?

- Sim, todas. Umas mais convenientes outras menos, porém todas as levam ao autoconhecimento.

- Preciso estar ligado a alguma delas para tal?

- Não necessariamente. Mas pode conferir as informações da sua consciência com elas. Não há nada em nenhuma delas que não saiba. Acontece é que se esqueceu disso. Quando lê qualquer manuscrito tido como sagrado não tem a impressão de que já o conhece?

- Sim.

- Este é então o caminho para se libertar de si mesmo. Viva de acordo com sua consciência e não com a verdade dos outros. Se encontrar alguém que pense como você tudo bem, mas não tente impor a sua verdade àqueles que pensam de outra maneira. Nem todos caminham pelas mesmas trilhas, mas o destino final é igual para todos.

- E o que posso fazer para ajudar aqueles que sofrem como eu?

- Cada um segue pela trilha que escolheu. Uns por trilhas calmas, com belas paisagens. Outros por trilhas íngremes e tempestuosas. Todos chegarão, mais cedo ou mais tarde ao mesmo destino. Respeite a decisão de cada um, mas não deixe de expor seu ponto de vista quando sua consciência o quiser.

- Isto significa que não existe nada de errado com o mundo?

- Sim. Não há nada de errado com a Terra. O que existe é a diversidade de caminhos para o mesmo destino, provinda de diferentes escolhas.

- Compreendo. Muito bom saber disso.

- Muito bom poder lhe falar sobre isso.

- Muito obrigado!

- É sempre um prazer!

- Até mais!

- Fique em paz, até mais!

 

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 19h54
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