Além do Trivial
  

Sobre a grandeza

 

Desde sempre o homem buscou posições de destaque em seu meio. Utilizando de inúmeros artifícios: astúcia, inteligência, instrução, beleza, sedução, dentre outros. Tudo para garantir conforto e tranqüilidade em sua vida material, bem como satisfazer aos seus caprichos egoístas. Muitos dos que insistiram em ir contra esta tendência foram condenados ao insucesso no simulacro deste mundo.

Igualmente a busca pela verdade, beleza e justiça, o ser humano aspira à grandeza, à abundância; a semelhança de seu Criador, perfeito e incomensurável.

Reis, rainhas e líderes provisoriamente tiveram poder sobre seus povos, mas em raras exceções demonstraram grandeza. Súditos, subversivos e pessoas comuns não tiveram qualquer poder oficial, mas muitos foram os que alcançaram o estado de verdadeira grandeza: o da humildade e o do privilégio de servir.

A grandeza independe de sua condição social, instrução, ou qualquer outra posição deste mundo. Ela depende de sua elevação moral. Mais elevado é aquele que oferece ao mundo em forma de trabalho tudo aquilo que de graça recebeu: mais precisamente ligado aos talentos naturais. Os considerados “pobres” necessitam de dinheiro, mas não o necessitariam se recebessem suficiente atenção a ponto de lhes motivar a lutar por condições melhores. Partindo deste exemplo, se cada um de nós oferecesse ao mundo o melhor de si mesmo, alcançaríamos um mundo mais elevado. Sem diferenças e preconceitos.

Imaginemos um mundo sem cercas, trancas, sem competição, onde cada um contribuísse com seu talento natural pelo bem comum. Este mundo já nos habita, porém aguarda a nossa decisão para colocá-lo em prática com as atitudes que tomamos em nossas vidas.

Até quando escolheremos a grandeza ilusória em vez da verdadeira? Isto não tardará a acontecer, mas o joio deverá ser separado do trigo.

 

(Tchobi)



Escrito por Tchobi às 01h39
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Notícias da Terra

Ficção

Queridos amigos do céu,

 

            Aqui na Terra mesmo após vários exemplos de seres que se abnegaram e muito amaram seus semelhantes, nós humanos temos optado por atender aos nossos interesses particulares. Isto se dá pela incapacidade que ainda temos em nos desprender por completo de nossos apegos e caprichos mundanos.

            Qualquer um que procura viver o amor em plenitude é uma exceção, encontra inúmeros desafios e perseguições. De fato a humanidade de tempos em tempos presencia seres iluminados que desafiam tudo e todos, colocando em jogo suas posses, posições, harmonia com os amigos e familiares, e muitas vezes se esquecendo de suas próprias integridades físicas. Estes são nossas grandes inspirações.

             A grande maioria de fato se preocupa exclusivamente com seu próprio bem estar, mesmo que isto cause dificuldades para outras pessoas. Por outro lado há uma parcela que está cansada de tanta injustiça e desigualdade. Não são pessoas prontas, mas com inclinação para o bem. Começam com algo pequeno como qualquer esmola, dedicam-se a alguma tarefa voluntária. Às vezes até se sentem como seres iluminados, mas é compreensível dada à tamanha maldade ainda praticada mundo afora. Com o tempo acabam percebendo que quem ajuda é quem mais recebe e isto passa a fazer parte de suas vidas.

            Assim aos poucos a humanidade tem evoluído. Muita é ainda a hipocrisia, mas muitos são os movimentos para que naquilo em que se é falado passe a ser praticado.

            Sinceramente, não acho um bom momento para nascerem por aqui. Caso seja algo que muito aspirem então que o façam com o intuito de ajudar e cientes de que serão perseguidos pelos atuais valores egoístas da Terra.

            Por outro lado se milhões de vocês vierem simultaneamente, sem dúvida teremos uma revolução. Uma revolução interior, de revalidação de valores. Se hoje há grande procura pelo poder, posses, status e mais outros castelos de areias, amanhã a procura passará a ser por ajudar os necessitados. Muitos necessitam de melhores condições materiais. Incontáveis são os que necessitam de melhores condições para amar ao seu semelhante. São mendigos de amor. Os mendigos de rua, mesmo hoje, ainda recebem alimentos por parte de certas instituições. Os mendigos de amor ainda não o recebem. Primeiro porque poucos são os que têm a oferecer. Segundo porque não compreendem que são carentes deste incomensurável atributo ou sentimento que rege todo o nosso Universo.

            Nos meios de comunicação há grande destaque às injustiças e crimes. Raros são os destaques à caridade ou qualquer manifestação de amor ao próximo. Nossas atuais escolas alfabetizam e ensinam os alunos a fazer contas. Não os ensinam a amar seus familiares sendo cada um deles como é. Não ensinam a transpassar os valores morais aos temporários mundanos. E com isso nossas crianças se apegam à quantidade, ao ter em detrimento do ser.

            Isto é preocupante. Este egoísmo gera escassez em nosso planeta e por isto nos encontramos em tempos de crise. Tanto aquelas causadas pela economia, quanto aquelas causadas pela própria natureza.

            Poderia ser diferente, mas sabemos que a lei de ação e reação é implacável. Difícil é conviver com qualquer irmão que hoje sofre por conseqüência de uma escolha infeliz. Mais difícil ainda é conviver com o sofrimento causado por escolhas que não foram dele. Estas aparentes injustiças são de certa forma consoladas pela fé num mundo melhor e na infalível justiça do Alto. É que para nós, décadas, séculos são considerados como longo prazo dado ao imediatismo com o qual convivemos nestes tempos de rápidas mudanças sociais.

            Se Gandhi influenciou a mente de milhões no século passado com a não violência e conseqüente libertação da Índia, quem sabe não nos seja dada a chance de continuarmos ainda neste século sem que frações de nossa raça tenham que ser aniquiladas até que aprendamos o caminho do amor? Desconheço o planejamento do Alto, mas por conhecerem a natureza humana possivelmente compreendem e até considerem normal nossas atuais atitudes egoístas e escolhas infelizes. Felizmente temos a eternidade para crescer.

            Portanto, meus amigos, estas são as notícias da Terra. Sinto muito por não serem compatíveis com a morada em que hoje habitam. Obrigado pela paciência. Em poucos séculos o quadro será outro muito melhor do que este. Não desistam de nós. Precisamos de vocês!

 

Saudações,

Tchobi



Escrito por Tchobi às 17h28
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